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Tema do Mês

Janeiro 2009 - Ano XI - nº 120

Sumário

O caso da abelha

O jabuti e o saca-rolhas

A onça e o gambá

A onça e a anta

O caso do bicho homem

A onça que procura justiça

O fabulário fluminense

 

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Fábulas Brasileiras

A onça e a anta

Os índios dizem que a onça quando anda à noite pelo mato faz barulho que eles pressentem com facilidade. Já a anta não faz barulho algum; sempre aparece inesperadamente.

Dizem os índios, que a anta à noite anda descalça.

É essa a origem desta pequena lenda.

Contam que, certa vez, estava a anta descansando quando a onça chegou e foi dizendo:

– Olá, meu cunhado anta!

– Olá, meu cunhado onça! Como vai? – perguntou cordialmente a anta.

– Vou mal, com os pés machucados pelos espinhos e estrepes do mato. Por isso, quero lhe pedir um favor. Você anda só de dia e eu só ando de noite. Você não quer me emprestar seus sapatos para que eu não machuque mais meus pés?

A anta não teve dúvida:

– Pode levá-los, cunhado. Mas assim que amanhecer, traga-os de volta, que eu preciso cuidar da vida e o calor do sol me queima os pés.

Assim combinaram e assim fazem até hoje.

("A onça e a anta". O Estado do Paraná. Curitiba, 14 de fevereiro de 1960

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