
Parabenizo, antecipadamente, a Jangada Brasil pelos 3 anos de proficuo trabalho. Remeto
para apreciacao artigo que escrevi sobre o Frevo - expressão maior do carnaval de
Pernambuco.
Como compositor, produtor fonográfico e Membro da Academia Pernambucana de Música,
sucedendo a Luiz Bandeira, cujo patrono é Luiz Gonzaga, sinto-me no dever de propugnar
pela boa musica e expressar meu sentimento pelo Frevo, do qual sou fervoroso adepto.
Cordial abraco,
Luiz Guimaraes Gomes de Sa
LG Projetos & Producoes
Artisticas
Recife, PE
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FREVO, NO CORAÇÃO E NO PÉApós um período em que esteve hibernado,
refazendo suas forças, o frevo ressurge com o vigor daqueles que não desistem, e sempre
saem vitoriosos. Já nos últimos anos, nosso ritmo maior dava mostras de que nascera para
reinar e que ocupa o coração do povo pernambucano.
Nesse ressurgimento, sempre altivo e brilhante, retoma o espaço nobre e único em nossa
cena musical que a ele sempre pertenceu. É gratificante vermos inúmeras crianças,
inclusive, de tenra idade, fazendo passo e sorrindo ao som do frevo, muitas delas, ainda
no descompasso, mas demonstrando um raro ar de felicidade. Esses pequeninos anônimos
representam a semente do frevo, que irá brilhar no futuro.
Nada obstante o respeito que temos com os compositores de nossa antologia carnavalesca,
protagonistas que foram - da época de ouro do frevo - , temos que
estimular os novos talentos, que darão continuidade ao trabalho deixado pelos gênios de
outrora.
Contudo, essa responsabilidade é de todos nós, do povo, do poder público e
principalmente das emissoras de rádio,(excetuando a Rádio Universitária, que sempre
prestigiou o frevo), que já estão ajudando na sua valorização.
Mesmo existindo várias edições em CD com novas composições, insistem em levar ao ar
gravações históricas e que já tiveram sua época de glória. Não esquecemos que todo
e qualquer trabalho que se faça nos dias de hoje, foi espelhado no exemplo e qualidade
das obras do passado.
O legado de Nelson Ferreira, Capiba, Levino Ferreira, Carnera, Luiz Bandeira, Edgard
Moraes, Lourival Oliveira, entre tantos outros, são o estímulo para que nova safra
de compositores apareça e quem sabe, venham a fazer nossa história no futuro.
A divulgação dos novos compositores é mais do que necessária. Precisamos renovar a
forma poética, melódica e harmônica nos gêneros de frevo que temos.
Um outro fato que merece ser repensado, é a renovação dos arranjadores. A experiência
vivida por Duda, José Menezes, Clóvis Pereira, Edson Rodrigues, Ademir Araújo -
para citar somente esses -, à frente de suas orquestras, ou mesmo trabalhando em outras,
não foi oportunizada ultimamente na dimensão devida. Tanto é verdade, que muitas delas
foram desativadas, por falta de espaço para tocar o frevo nos Clubes e nas ruas.
Desponta neste cenário, isoladamente, Spock, que já deu provas de seu
talento e versatilidade nos arranjos que realizou. Contudo, o frevo merece e precisa de
muito mais. Já é hora de termos cursos da espécie, para que se promova a renovação
desse quadro.
A composição de frevo ou de qualquer outra música, se completa em sua qualidade,
através da orquestração. Se não temos profissionais qualificadas para esse exercício,
certamente o resultado não será o melhor. Acredito que esse é um dos fatores que
poderá viabilizar o frevo do futuro, que certamente contribuirá para o futuro
do frevo...
Recife, 01 de março de 2001
Luiz Guimarães Gomes de Sá
Médico, compositor e membro da Academia Pernambucana de Música
Recife. PE
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