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A MULA-SEM-CABEÇAA Jangada Brasil vai fazer três anos e eu não vou
estar fora dessa festa. Gosto dessa terra, de sua história, da cultura, da comida desse
povo.
Já há algum tempo atrás, em Rio Bonito, cidade do interior do Rio de Janeiro, passei
alguns dias hospedado em uma casa. Eram duas as moradoras, uma velha professora e sua
empregada.
A professora, Dona Adelaide, mãe de criação de um tio já falecido: o Tio Dalton; e a
empregada, Dona Maria, senhora negra, cozinheira de mão cheia, fazia uns licores
saborosos. O que eu mais gostava era o de chocolate.
Ela sempre me contava estórias, de mula-sem-cabeça e lobisomem, que eu ouvia atento,
meio acreditando, meio não.
Certa noite, impressionado pela escuridão não enxergava nem a palma da mão
a noite não tinha lua, só o brilho das estrelas, Dona Maria chegou em meu quarto
e me chamou:
- Rogério, levanta! Vem comigo.
Pegou-me pela mão sem acender a luz. Levantei e fui com ela, meio assustado.
Passamos pelo corredor, entramos na cozinha e saímos pela porta dos fundos.
Atrás da casa havia um descampado enorme. E bem lá no fundo do terreno, estava uma
luzinha trêmula. E Dona Maria perguntou:
- Tá vendo aquela luz lá no fundo? Pois bem, veja só!
Pegou um torrão de açúcar, jogou a poucos metros de onde estávamos, e então, num
galope surpreendente, bem quase na minha frente, apareceu a tal mula-sem-cabeça. Mais
parecia com um cavalo cinza, pelo seu porte e pela sua rapidez. E, como um bicho normal,
abaixou como se quisesse comer o torrão de açúcar, balançou o tronco como se
agradecesse, expeliu um fogo e sumiu como um relâmpago.
Dou o testemunho como é uma verdade verdadeira.
Rogério Duarte
Rio de Janeiro, RJ |
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| A. Carlos -
Bentinho da Samambaia - Cada um cai do cavalo como quer - um causo de David de Carvalho. |
| JPVeiga - A linhagem da
Cobra Grande |
| Nara Limeira - Entre o
chão e o chinelo: o chiado em dança e percussão. |
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