Jangada Brasil
  

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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

cancioneiro

ANO VI - EDIÇÃO 66
MAIO 2004

Cancioneiro
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O Lucas da Feira, colhida por Sílvio Romero

A vinda da besta-fera, por José Costa Leite

Décima do bico branco, colhida por Americano do Brasil
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Capa
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Festança
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...


O Lucas da Feira

Versão colhida em Sergipe, na segunda metade do século XIX, por Sílvio Romero.

Adeus, terra do limão
Terra onde fui nascido
Vou preso para a Bahia
Levo saudades comigo
Eu vou preso pra Bahia
Eu vou preso, não vou só
Só levo um pesar comigo:
É da filha do major
Eu vou preso pra Bahia
Levo guarda e sentinelas
Para saber quanto custa
Honra de moças donzelas
Estes sócios meus amigos
De mim não têm que dizer
Que por eu me ver perdido
Não boto outro a perder
Estes sócios meus amigos
A mim fizeram traição
Ganharam o seu dinheiro
Me entregaram à prisão
Meus amigos me diziam
Que deixasse de função
Que o Casumbá por dinheiro
Fazia às vezes do cão
Vindo eu lá da festa
De São Gonçalo dos Campos
Com o susto do Casumbá
Caiu-me a espada da mão
Já me quebraram o braço
Já me vou a enforcar
Como sei que a morte é certa
Vou morrendo devagar
Quando na Bahia entrei
Vi muita cara faceira
Brancos e pretos gritando:
— Lá vem o Lucas da Feira!
Quando eu no Rio entrei
Caiu-me a cara no chão
A rainha veio dizendo:
— Lá vem a cara do cão.

(ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro; cantos e contos populares do Brasil. 3 v. Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1954. Coleção Documentos Brasileiros)