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Cantiga dos canoeiros do Amazonas

Richard Bates

Os canoeiros do Amazonas têm muitas cantigas e coros com os quais quebram a monotonia de suas lentas viagens, e que são conhecidas em todo o interior. os coros consistem em uma só nota, repetida até o cansaço, e geralmente cantada em uníssono, mas às vezes com esboço de harmonia. As notas são rudes e tristes, harmonizando-se bem com as circunstâncias da vida dos canoeiros; o eco dos canais, as infinitas florestas sombrias, as noites solenes e as cenas desoladas das águas largas e tempestuosas e das terras caídas. 

É difícil dizer se elas foram inventadas pelos índios ou introduzidas pelos portugueses, pois muitos dos costumes das classes inferiores de Portugal são tão parecidos com os dos índios, que se misturaram com eles. Um dos cantos mais comuns é muito agreste e lindo. Tem um refrão as palavras "Mãe, mãe", demorando-se muito na segunda palavra. As estrofes são muito variáveis; o mais sabido a bordo puxa o verso, improvisando à vontade e os outros fazem o coro. Todos cantam a vida solitária do rio e as peripécias da viagem; os bancos de areia, o vento; onde pretendem parar para dormir, e assim por diante. Os sonoros nomes dos lugares, Guajará, Tucumandaba etc., dão realce especial aos encantos da música selvagem. Às vezes se referem aos astros assim:

A lua está saindo
Mãe, mãe

A lua está saindo
Mãe, mãe

As sete estrelas estão chorando
Mãe, mãe

Por se acharem desamparadas
Mãe, mãe

 

[1855]

 

(Em Cascudo, Luís da Câmara. Antologia do folclore brasileiro. 2ª ed. São Paulo, Livraria Martins, 1954, v.1, p.115-116)
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