Comumente chamada ersipla ou esipla.
Inchação da perna proveniente de doenças, malefícios, maleitas ou manifestações provocadas pelo diabo ou seus agentes. Para a cura, só a reza das benzedeiras, que exorcizam os maus espíritos que judiaram do paciente. Em um curioso capítulo de suas anotações do fato, J. C. de Oliveira (Orações e ensalmos) dá-nos a receita para curar erisipela:
"Pedro e Paulo foram a Roma e aí encontraram Jesus Cristo. Este lhes perguntou: — Que há lá por baixo? — Ah! Senhor, muita erzipla malvada! — Pois então, volta e cura com óleo de oliveira, que é do mesmo Senhor Nazareno, que ele te salvará. (Padre Nosso, Ave Maria e Glória ao Padre em honra de São Pedro e São Paulo). Repetir três vezes a fórmula."
Crê o saudoso folclorista paraense que a receita usada contra o mal, segundo o testemunho das antigas benzedeiras a quem ouviu, esteja adulterada ou reduzida em sua expressão, porque as pessoas que benzem usam um sistema de pronunciar em voz baixa as palavras oraculares.
Existe outra versão mais longa, porém igualmente duvidosa de exorcizar o paciente:
"Erzipla, erzipelão: erzipla foi à Faísca; da Faísca foi a Roma; da Roma foi à carne; da carne foi aos ossos; dos ossos foi ao tutano; te dispõe, erzipla maldita, do corpo desta criatura; erzipla, não sou eu que te benze, é Jesus — Maria — José; não tenho merecimento para isso, te corto, rosa branca, te corto, rosa verde, te corto, rosa vermelha, te corto, rosa parda, com os poderes de Deus Padre, Filho da Virgem Maria, Amém. (Três vezes com três Padre Nossos, três Aves Marias e três Glórias ao Padre)".
Entra depois a interpretação da palavra Faísca. De onde procede? Certamente é pela ignição do mal, porque a erzipla queima como fogo, provocando inchação e dores que só as benzeduras podem aliviar.
Também o emprego do verbo dispor, como sinônimo de sair ou abandonar o corpo, é uma característica singular e curiosa do ensalmo utilizado para espantar a doença.
Acrescente-se para completar o verbete, que a invocação às rosas de diversas cores não tem nenhum sentido decorativo e poético, sendo apenas decorrente da presença e utilidade das rosas na farmacopéia popular.