Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Fevereiro 2007 - Ano X - nº 99


Sumário

Festança
Com a verba do carnaval compraram a alforria de cinco (ou 12) escravos
Jota Efegê

Tribos de índios
Katarina Real

Dança do bate-coxa
Alceu Maynard Araújo

Cancioneiro
A mula doida demais
José Medeiros Lacerda

ABC da moça queimada

Vaidoso

Imaginário
O curupira e o seu alimento

Quero-Quero
Dimas Costa

Estórias de João Alfaia

Colher de Pau
Queijo do Ceará
Alceu Maynard Araújo

Alho
Mário Souto Maior

Alimentação dos habitantes de Belém do Pará
Alfred Russell Wallace

Oficina

Na mesma praça, no mesmo lugar

Pescar no lago já é profissão

Cultura do algodão
Oscar Canstatt

Palhoça
Folclore do cachorro
Marina de Andrade Marconi

Nosso folclore e os muçulmanos
Aluísio de Almeida

Das leis e da polícia dos índios tupinambás
Claude d'Abbeville

Panacéia
Palavras más
Hildegardes Viana

Erisipela
Osvaldo Orico

Santa cruz de beira de estrada
Gilvaldar de Campos Monteiro

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Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Palhoça
Textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...

Das leis e da polícia dos índios tupinambás

Claude d'Abbeville

Antes de vir a fé, na linguagem dos apóstolos, vivíamos sob o domínio da lei ainda guardada à espera da fé, que nos devia ser revelada.

A miséria porém dos pobres índios tupinambás foi tão grande, que não tendo eles nem fé e nem religião, não tinham a lei e nem polícia, exceto alguma parcela da Lei da natureza.

Disse Justiniano que juris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Na verdade, são rigorosos em respeitar o alheio, e, se aparece alguma injustiça, exigem a reparação conforme as leis de talião.

Se um sujeito dá noutro uma bofetada, é obrigado a levar outra; se lhe quebra um braço ou outro membro, há de sujeitar-se a igual destruição ou mutilação, e finalmente, se mata, deve morrer.

Seria boa lei, se tivesse algumas modificações; contudo, o direito natural é imutável.

Se alguma mulher comete o crime de adultério, ou morre, ou e vendida como escrava. Não praticam seus atos de justiça com formalidade e autoridade pública e sim de fato e mui em particular.

Têm um chefe ou principal em cada aldeia.

ordinariamente ocupa o lugar de chefe o capitão mais valente, ou o velho mais experimentado, que mais proezas fez na guerra, destruindo e matando muitos inimigos, que tem maior número de mulheres e de escravos adquiridos por seu valor, e família grande.

Ocupam este lugar de chefe ou de principal, não por eleição pública, e sim somente pela fama adquirida, e confiança nele depositada.

Serve o chefe somente para orientá-los com seu parecer principalmente nas assembléias gerais que fazem todas as noites no meio de suas habitações.

Depois de acenderem bom fogo, que lhes serve de candeia e para acender seu cachimbo, armam aí suas redes de algodão, e deitados, cada um com seu cachimbo na mão, principiam a orar contando o que se passou naquele dia, e lembrando do que deviam fazer no seguinte a favor da paz ou da guerra, ou para receber seus amigos, ou ir ao encontro de seus inimigos, ou para outro qualquer negócio urgente, conforme as ordens de seus chefe, observadas à risca.

Quando morre algum deles, reúnem-se, choram, como já dissemos, e entoam-lhe louvores. Vestem-no depois com todos os seus vestidos e ornatos, fazem uma cova de quatro a cinco pés de profundidade, curvam o corpo de forma que os pés toquem na cabeça e assim deitam na cova.

No meio de altos gritos e lamentações, cobrem-no de terra, e aí o deixam.

(Abbeville, Claude d'. História da missão dos padres capuchinhos na ilha do Maranhão. São Paulo, Editora Siciliano, 2002, p.305-306)

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