Embora a dança do bate-coxa não se confunda com a capoeira tal qual é exibida atualmente em Salvador, na Bahia, pode ser que seja uma das variações mais violentas dessa luta que o negro nos ensinou.
Além dos informes sobre sua prática no passado, quando famosos dançadores vadiavam e depois seu nome era repetido de boca em boca, dois irmãos, Sabino e Porfírio se dispuseram a dançar para que pudéssemos documentá-la.
Os dois contendores, sem camisa, só de calção, amarraram os testículos para trás, aproximaram-se, colocaram peito com peito, apoiando-se mais nos ombros, direito com direito e depois esquerdo com esquerdo. Uma vez apoiados os ombros, ao som do canto de um grupo que está próximo, ao ouvir o "ê boi", ambos os contendores afastaram a coxa o mais que puderam e chocaram-se num golpe rápido. Depois da batida a coxa direita com a direita, repetiram à esquerda, chocando bruscamente ao ouvir o "ê boi" do estribilho. A dança prosseguiu até um dos contendores desistiu e se deu por vencido. O que leva uma queda após a batida é considerado perdedor.
Outras vezes, combinavam ou sorteavam qual devia bater primeiro então o que perdia na sorte esperava, firme a pancada que ia receber. Depois então cabia-lhe dar sua batida.
Como na capoeira, na dança do bate-coxa, formam uma roda para cantar. Nesta o acompanhamento é feito apenas por um tocador de ganzá. Os versos cantados pelo grupo ao som do ganzá são:
São horas de eu virá negro,
êh, boi.
Minha gente venha vê
com meu mano vadiá,
êh! boi, são horas de eu virá negro,
tanta faz daqui pra lá
como dali pra acolá,
êh! boi...
São horas de eu virá negro.