Diz-se de quem é "finório, matreiro, velhaco" (Viotti, 1957).
Locuções populares
1. Meter-se em alhadas: "empresa perigosa, negócio de conseqüências funestas" (Costa, 1937).
2. Cheira a alho: "de preço elevado" (Viotti, 1957).
3. Passado na casca do alho: "muito experiente, finório, sabido" (Viotti, 1957; Seraine, 1958; Cabral, 1972). "O viajante é feito na vida, passado na casca do alho" (João Clímaco Bezerra. Sol posto. Rio de Janeiro, José Olímpio, 1952, p.190).
4. Misturar alhos com bugalhos: "cofundir coisas dessemelhantes"
(Holanda, 1975).
Adágios
1. Quem se queima, alho come
2. Falo-lhe em alhos, responde-me com bugalhos
3. Em tempo nevado, o alho vale um cavalo.
4. Se queres ser um bom alheiro planta os alhos em janeiro.
5. Moça a quem sabe bem o não, perdido é o alho que lhe dão.
6. Onde alhos há, vinhos haverá.
7. Alho e pimenta o fastio ausenta.
8. Alho e vinho puro levam a porto seguro (Rolland, 1941).
Crendices
1. "Segundo a tradição, o caçador, ao sair à selva, leva, geralmente, no bolso, uma ou mais cabeças de alho, que diz ser para afugentar as cobras venenosas e as caiporas." (Inácio Filho, 1969)
2. "Alho bento na fogueira de São João e plantado atrás de um pote,
se amanhecer com o olho de fora indica à noiva que esta casar-se-á com quem
namora." (Inácio Filho, 1969)
Medicina popular
1. Na doença de olhos: toma-se um dente de alho, corta-se a cabeça, aproxima-se o mais que se puder do olho doente e sopra-se para que o calor do alho vá até a córnea.
2. Na tosse e na rouquidão: nada como chá de alho com mel de abelha para gargarejar e engolir.
3. Na furunculose: faz-se emplastro de alho, farinha de mandioca e sal. Num instante o furúnculo (cabeça-de-prego) rebenta e sara.
4. Na picada de insetos: é bom esfregar alho esmagado na mordida. A dor passa como por encanto.
5. Espinho: quando não quer sair e começa a inflamar, é aconselhável passar alho esmagado. O espinho sai logo, e desinflama que é uma beleza.
6. Na dor de dente: a dor passa logo que se colocar um pouco de alho esmagado no buraco (cárie) do dente.
7. Na dor de ouvido: pisa-se o alho, enrola-se um tiquinho de algodão e bota-se no ouvido do doente. Alivia logo.
8. Na rouquidão: toma-se um dente de alho, molha-se no álcool e toca-se fogo. Depois que o fogo se apaga, mastiga-se o alho bem devagar.
9. "A palha do alho é usada como defumador contra ar do tempo"
(Araújo, 1961).
Adivinhações
1. "Tem barba e não é bode, tem dentes e não morde" e "tem dentes mas não tem boca; tem barba mas não tem queixo" (Cascudo, 1952).
2. "Tem dente mas não come; tem barba mas não é homem" e "tem dente mas não tem queixo; tem barba mas não tem beiço" (Melo, 1950).
3. "Tem barba mas não tem rosto, tem dentes sem ser de osso e tem um palmo de pescoço" (Bezerra, 1913)
4. "Quem é que tem os dentes na cabeça?" (Vieira Filho, 1951).
Referências bibliográficas
Araújo, Alceu Maynard. Medicina rústica. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1961
Bezerra, Alcides. "Adivinhas". Revista do Instituto Histórico Paraibano, v.4, 1913
Cabral, Tomé. Dicionário de termos e expressões populares. Fortaleza, Universidade Federal do Ceará, 1972
Costa, Francisco Augusto Pereira da. Vocabulário pernambucano. Recife, Imprensa Oficial, 1937
Holanda, Aurélio Buarque de. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975
Inácio Filho, José. Termos e tradições populares do Acre. Rio de Janeiro, 1969
Melo, José Maria de. Enigmas populares. Rio de Janeiro, Ed. A Noite, 1950
Rolland, Francisco. Adágios, provérbios, rifãos e anexins da língua portuguesa... por F. R. I. L. E. L. [pseud.] Lisboa, Typ. Rollandiana, 1941
Seraine, Florival. Dicionário de termos populares (registrados no Ceará). Rio de Janeiro, Organização Simões, 1958
Vieira Filho, Domingos. "Adivinhas populares do Maranhão". Boletim Trimestral da Comissão Catarinense de Folclore. Florianópolis, 3 (9/10):187-98, setembro-dezembro de 1951
Viotti, Manuel. Novo dicionário da gíria brasileira. 3ª ed. Rio de Janeiro, Liv. Tupã Ed., 1957