Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Ano IX - Edição 97
Dezembro de 2006
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Reisado, por Noé Mendes de Oliveira



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Reisado

Noé Mendes de Oliveira

Também chamado de terno de Reis, o reisado, constitui, ao lado do bumba-meu-boi, um dos mais originais folguedos folclóricos. Sai na época do Natal e termina no dia de Reis, 6 de janeiro. É dançado em todo o estado.

Geralmente o reisado é composto de quatro ou seis caretas ou mascarados que dão hilaridade e rebuliço à brincadeira. Uma orquestra de violas, rebecas, banjos, violões, pandeiros, maracás e sanfona acompanha os cantos de um pequeno coro de mulheres. Cada personagem vai se apresentando ao som de suas músicas: a burrinha, o boi, o jaraguá, a cigana, a ema, a arara, o caipora, o cabeça-de-fogo etc. Outros personagens podem aparecer, dependendo do reisado. Nos intervalos entre uma e outra apresentação, os caretas ficam em cena, dançando "chicote", cantando modinhas com a voz cavernosa, dizendo anedotas picantes etc. O cantos de chegada e de despedida são, talvez, as mais belas criações da música folclórica nordestina.

Bateu asa e canta o galo
Meia-noite deu sinal
Acendei mais uma vela
Hoje é dia de Natal
etc.

Boa-noite, boa-noite
Boa-noite eu lhe desejo
Sou filho do Padre Eterno
Devoto da Mãe de Deus

Vinte e cinco de dezembro
Reza-se a ladainha
Pra tomar café com bolo
E comer arroz com galinha.

(Oliveira, Noé Mendes. Folclore brasileiro: Piauí. Rio de Janeiro, Funarte, 1977)
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