Jangada Brasil
  

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Jangada Brasil - abril  2004
Edição 65

catavento

Catavento
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Rapa

Pau de sebo

Brincar de esconder

Balança caixão

Adivinhas
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Almanaque
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Pau de sebo

Ilustração de Marco JardimEm frente à casa comercial da viúva Pontes, do lado de cima, no Sábado de Aleluia, o gerente mandou fincar um pontalete de madeira, descascado e bem limpo, de uns 12 metros de altura, bem engraxado. Na ponta, um judas de chapéu preto, novo, de pêlo, roupa de casimira boa, sapatos que prestavam, gravata vermelha e camisa xadrez grande, preto e branco. No peito uma belíssima nota de cem mil réis, presa com alfinete de gancho e que era o chamariz da molecada. Um dinheirão!

Muito antes do meio-dia já estava rodeado de gente que queria assistir ao espetáculo.

Às 11 horas foi dada a ordem para o início da subida. Era só graxa de carroça que voava dos lados e os meninos descalços, lambuzados até os cabelos, por mais areia que esfregassem nas mãos e mastro, não conseguiam atingir mais que 5 a 8 metros de altura. Os mais sabidos e experientes esperavam para o fim, quando grande parte do serviço já estivesse feita.

Assim fez o filho do Pasquim. Com os bolsos cheios de areia, peia nos pés, tentou diversas vezes até conseguir escalar o mastro, sob vivas palmas e assobios. Guardou a nota de cem, retirou o relógio e a corrente, cortou as amarras e o judas despencou, caindo no chão, onde o povo já o esperava com cacetes nas mãos para maiá-lo até fora da cidade.

Naquela confusão, alguns aproveitaram o chapéu e as botinas, mas o resto foi estraçalhado e queimado na saída da cidade, na estrada para Leme.

 

(WOLFF, Emílio Silvestre. Nosso folclore. snt, p.57-58)