O Tripeiro
O tripeiro corre todas as zonas, levando as fressuras (Bofe, coração, figado, rins,
tripa e miolos, mocotó e rabada), em caixas de madeira, conduzidas à cabeça e o
descanso ao ombro, ou então a cavalo, modo mais prático de negociar. O cavalo arreiado
com uma espécie de cangalha, com dois ganchos, prendendo as
caixas laterais, feitas de madeira, com ventilação por meio de buracos, vedados por tela
de arame finissimo, tendo uma abertura por cima, que serve de tampa.
Acompanha a caixa, uma balança, uma faca e papel, para as vendas avulsas, regulando o
preço um pouco mais caro que nos açougues. O animal é conduzido por cabresto, pelo
tripeiro, que é, obrigatoriamente, português.
O Vassoureiro
O vassoureiro é clássico no Rio, percorrendo todos os recantos; são empregados das
fábricas e, raramente, vendem por conta própria.
É tipo curioso como bazar ambulante de vassouras, espanadores, escovas, vasculhos, cestas e cadeiras de vime.
São todos os vendedores de origem portuguesa, e passam anunciando: "bassoiras,
espainadores, cadeiras de bime", e assim vão com a sua "funetica" vivendo
e vendendo as suas mercadorias.
O Vendedor de Plantas
O vendedor de plantas é um tipo bem conhecido de todo o Rio de Janeiro; passa pelas ruas
e estradas com um tabuleiro de longas pernas, cercado na parte superior, onde se
acondicionam plantas de jardim, ornamentais de interior e mesmo árvores frutíferas, o
qual é transportado na cabeça e equilibrado pelas pernas, onde segura. É o vendedor das
chácaras de flores e pomares; há outros que vendem por conta própria, mas não é
negócio; só quando tem chácara própria com os respectivos viveiros, é que tudo é
lucro. Vendem na zona rural, árvores frutíferas, de cinco a dez mil réis o pé.
As samambaias variam conforme o gênero: a conhecida chorona (Naphrólepis) custa
vinte mil réis. As flores variam: a Bougainvillea, por exemplo, vai de três a
quatro mil réis; assim é o comércio, variável como a nossa flora.
O Pombeiro de AvesPombeiro de aves, é a denominação dada aos
vendedores ambulantes de galinhas, perus, patos e ovos. Percorrem os pombeiros todas as
zonas da cidade e subúrbio e aparecendo, por ironia, na rural. Trazem com eles um cavalo
tendo cangalha com duas capoeiras divididas em duas partes,
uma superior e outra inferior, com portinholas na parte da frente; sobre um dos lados, uma
tabela de preços iguais aos das feiras; o animal traz na cabeça uma série de guizos, que chamam guizalhada com que avisam a freguesia sua
passagem. São sempre dois os ambulantes: um guia o animal e o outra trás na mão, um
grupo de galinhas presas pelas pernas, que estão quase sempre cansadas e doentes. Os
pombeiros moram nos suburbios, de onde irradiam.
(Corrêa, Magalhães. O Sertão Carioca.
1936) |


Cangalha:
Armação de madeira ou ferro em que se sustenta e equilibra a carga das bestas, metade
para cada lado.
Capoeira: Gaiola grande onde se criam e
alojam capões e outras aves domésticas.
Guizo: Esferazinha oca, de metal, com
furinhos, que contém bolinha(s) maçica(s) e que agitada, produz som.
Vasculhos: Vassoura para limpar tetos e
paredes altas. |