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Ano II - novembro 1999 - nº 15

Sua revista com a cara e a alma brasileira

SUMÁRIO - EDIÇÃO 15
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO

setaquad.gif (95 bytes)Adivinhas

setaquad.gif (95 bytes)Bola na parede

setaquad.gif (95 bytes)Seu lobo

setaquad.gif (95 bytes)Sela

setaquad.gif (95 bytes)Caveira de mamão

ALMANAQUE

 

CATAVENTO - Nesta seção, textos sobre cantigas de roda; acalantos; brincadeiras; brinquedos feitos em casa; adivinhas; trava-línguas; parlendas; lengalengas; fórmulas de escolha, mnemônicas...

CAVEIRA DE MAMÃO

Ana Augusta Rodrigues


Embora de uso apenas esporádico, em todo o país é conhecida essa prática, antes trote que brincadeira, usada por crianças e às vezes também por adultos, para assustar e atemorizar os companheiros crédulos ou incautos.

Na falta de um mamão verde, de tamanho médio, pode-se lançar mão de uma abóbora, com idêntico resultado.

Abrem-se no mamão dois orifícios redondos que são os olhos. Representando o nariz recorta-se um triângulo; mais abaixo perfura-se a boca, alargada em tétrico sorriso, que deixa à mostra uma porção de "dentes"...

Depois de assim esculpida, coloca-se lá dentro um toco de vela e espeta-se a "caveira" numa vara que se fina no lugar a ser assombrado. Ainda mais sugestivo é envolver-se o autor num lençol, mantendo a caveira à altura da própria cabeça, transformando-se assim em "fantasma" e este tem a mais além da liberdade de locomoção a vantagem de poder gemer, chorar, gritar, etc...

A vela acesa ilumina e destaca os orifícios produzindo no escuro um efeito que na realidade assemelha-se a uma caveira, suficiente para assustar e intimidar qualquer criança que com ele se depare...

(RODRIGUES, Ana Augusta. Rodas brincadeiras e costumes. Brasília, Editora Plurarte, 1984)

A "vazia amargosa" é uma espécie de abóbora grande hoje quase desaparecida cuja casca endurecida ao secar, fornecendo enormes cuias utilizadas para os fins mais diversos, como utensílios domésticos, prestam-se também para fazer ótimas caveiras, leves e resistentes. Na região de Campos, cortada pelo Paraíba era costume lançá-las nágua por ocasião de enchentes para assustar a população ribeirinhas. E muita gente recorda o pavor sentido ao ver aparecer, assombrando a noite uma porção de "afogados" que flutuavam rio abaixo, não lhes faltando sequer a misericordiosa vela acesa que lhes iluminasse o caminho...

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