Embora de uso apenas esporádico, em
todo o país é conhecida essa prática, antes trote que brincadeira, usada por crianças
e às vezes também por adultos, para assustar e atemorizar os companheiros crédulos ou
incautos.Na falta de um mamão
verde, de tamanho médio, pode-se lançar mão de uma abóbora, com idêntico resultado.
Abrem-se no mamão dois orifícios
redondos que são os olhos. Representando o nariz recorta-se um triângulo; mais abaixo
perfura-se a boca, alargada em tétrico sorriso, que deixa à mostra uma porção de
"dentes"...
Depois de assim esculpida, coloca-se lá
dentro um toco de vela e espeta-se a "caveira" numa vara que se fina no lugar a
ser assombrado. Ainda mais sugestivo é envolver-se o autor num lençol, mantendo a
caveira à altura da própria cabeça, transformando-se assim em "fantasma" e
este tem a mais além da liberdade de locomoção a vantagem de poder gemer, chorar,
gritar, etc...
A vela acesa ilumina e destaca os
orifícios produzindo no escuro um efeito que na realidade assemelha-se a uma caveira,
suficiente para assustar e intimidar qualquer criança que com ele se depare...
(RODRIGUES, Ana Augusta. Rodas brincadeiras e costumes. Brasília, Editora Plurarte, 1984)
A "vazia amargosa" é uma
espécie de abóbora grande hoje quase desaparecida cuja casca endurecida ao secar,
fornecendo enormes cuias utilizadas para os fins mais diversos, como utensílios
domésticos, prestam-se também para fazer ótimas caveiras, leves e resistentes. Na
região de Campos, cortada pelo Paraíba era costume lançá-las nágua por ocasião de
enchentes para assustar a população ribeirinhas. E muita gente recorda o pavor sentido
ao ver aparecer, assombrando a noite uma porção de "afogados" que flutuavam
rio abaixo, não lhes faltando sequer a misericordiosa vela acesa que lhes iluminasse o
caminho... |