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Em homenagem ao Dia do Caminhoneiro, 30 de junho, uma seleção de trinta frases de pára-choques de caminhão:

• Sogra devia ter dois dentes. Um, para abrir latas e garrafas, outro, para doer a noite inteira
• Não tenho vícios. Só bebo e fumo quando jogo
• A morte me namora, mas eu amo a vida
• Deus faça em flores os espinhos da minha estrada
• Melhore sua viagem, viaje comigo
• O amor é como o sol, uma nuvem pode escondê-lo, jamais apagá-lo
• O sorriso é o símbolo da paz
• Com Cristo na mente, viajo contente e sem acidente
• Gostar de mulher é herança de meu pai
• Não adianta reclamar. Só sou rápido na descida
• Esse negócio de chifres não existe. Foi coisa que botaram na sua cabeça
• Não sou galinha, mas meu coração é um poleiro
• Chegou o gato. Prendam os cachorros e larguem as gatas
• Médico é um profissional especializado em matar cientificamente seus clientes
• As flores mais belas também murcham
• Devagar, eu chego. Correndo, não sei
• Deus dá juízo, mas a pinga tira
• O dinheiro me faz viajar. A saudade, voltar
• Para provar que é homem não é preciso conquistar mil mulheres, mas fazer uma realmente feliz
• O silêncio é o tapume da sabedoria
• Um livro é como um jardim de bolso
• Se saliva fosse dinheiro, boca de pobre seria seca e eu não estaria aqui
• Mulher é como estrada, quanto mais curva mais perigosa
• O português inventou o termômetro a cores para ver a febre amarela
• Não faça do seu namorado um tarado, a vítima pode ser você
• Calor humano é ótimo, pena é o cheiro
• No teatro do poder, todos são formados em artes cínicas
• Nem no dia de sua morte o coveiro falta ao cemitério
• Deus proteja as mulheres bonitas, e as feias se der tempo
• Você vê as pingas que eu tomo, mas não assiste os tombos que eu levo

AS DUAS PREGUIÇAS

Duas preguiças travaram
Uma contenda e apostaram
Fazer uma carreira
Para ver qual das duas preguiçosas
Era mais ágil, mais ligeira

Mas, que elas nada fizeram
Podemos até jurar!

Pois antes de uma carreira
Elas, melhor, deveriam
Ver primeiro se sabiam
Não, correr; mas, sim – andar

(Alberto Nunes Filho)


O ERMITÃO E A ANDORINHA

Dizem que em tempos de então
Uma andorinha arrufada
Queixando-se a um ermitão
Interpretando a louquice
Das mães, entre a passarada
Pedindo que ele pedisse
Rogasse a todos os galos
Em nome dos passarinhos
Que não cantassem de noite
A fim de não assustá-los
– os seus queridos filhinhos,-
Nas horas da quietação
– respondeu-lhe o ermitão
Que o pedido era uma ofensa
À nossa religião!

Pois o cantico dos galos
À meia-noite vibrando
É a própria noite cantando
Toda a noite relembrando
O nascimento de Cristo
Numa vibrante oração


(CEARENSE, Catulo da Paixão. Fábulas e alegorias)

 

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O calo

Paula Nei, o maior desperdiçador de talento que o Brasil já possuiu, não perdoava os seus desafetos e, ainda menos, as nulidades pretensiosas que prosperavam no seu tempo. Conversava-se, uma tarde, em um grupo na rua do Ouvidor, sobre o prestígio da imprensa, quando um dos presentes, que se dizia jornalista, aventurou, acaciano:

- A imprensa é um grande corpo…

- É… É… - atalhou Paula Nei, piscando por trás do pince-nez. - A imprensa é um grande corpo. Mas você, nesse corpo…

E sem temer a reação:

- É o calo do dedo mínimo do pé esquerdo!

(Ernesto Sena. Notas de Um repórter, p. 164)

***

"Oh, linda!"

Andando com outros por entre o mato, em busca de um lugar em que o seu amo fundasse uma povoação, um galego, criado de Duarte Pereira, foi ter a um monte a beira-mar, de onde se divisava um soberbo panorama. E tão encantado ficou com a posição descoberta que, não se contendo, exclamou:

- Oh, linda!

É essa a origem, vulgarmente admitida, do nome que ainda hoje tem a antiga capital pernambucana.

(Frei Vicente do Salvador. História do Brasil, p. 107)

(In CAMPOS, Humberto de. O Brasil Anedótico)

Cheiro cheiroso!
Cheiro cheiroso!
É do bom e do melhor
Pro banho de São João!

Pregão dos vendedores de
banhos-de-cheiros em Belém, Pará.

(TOCANTINS, Leandro. Santa Maria de Belém do Grão Pará)

NAMORO EM TEMPO DE FRIO

Zé Mané sai de Tabuí. Baile na roça. E arruma namorada. Fazendeirinha bem ajeitada, novinha ainda, toda limpinha e cheirosa. Moça muito distinta e recatada... Tantos predicados deixaram o Zé na maior paixão.

- Se ocê quisé memo namorá ieu tem que falá com o pai.

O rapaz fica desanimado. Mas depois de alguns dias, várias noites sem dormir, conclui com seus botões

- Ela é moça boa demais da conta. Vô lá resorvê o pobrema.

Mandou recado. Vestiu a melhor roupa, calçou botina gomeira e foi rever a paixão e enfrentar o velho, futuro sogro. Andou horas e horas até chegar ao destino. A família recebe bem o nosso Zé Mané. Velho pega na mão, bate nas costas, velha chama-o de meu filho, paixão fica segurando sua mão e as três irmãs se derramam em sorrisos. Tudo era ânimo. Os dois apaixonados combinam, num momento em que conseguiram ficar a sós, que a conversa de homem pra homem seria no dia seguinte, na hora do almoço. Tudo muito bem, tudo muito bom, noite chegou. Era junho. Tempo de frio. O Zé, como não previa passar a noite em casa alheia, nem uma blusa trouxera.

- Tô sentino frio não, gente! Sô assim memo, num sinto frio!

A desculpa não colava, mas o rapaz não queria dar o braço a torcer. O negócio era impressionar. Queria dar uma de macho e, no seu conceito, macho que é macho não sente frio.

A moça mostra-lhe o quarto e leva-lhe cobertores.

- Não, amô! Carece disso não. Nem lençor eu uso! Durmo só de cueca!

Donzela ficou toda corada ao ouvir essa palavra que julgava de baixo calão.

- Mas assim cê intangue, bem!

- Que nada. Tiau, amô! Té manhã!

Zé Mané fica sem os cobertores tão quentinhos. Tira a roupa e, para honrar a palavra, fica mesmo só de cueca esperando o sono chegar. Mas o frio tava brabo e ele, tremendo, não consegue pegar no sono. Rola pra lá e pra cá, com raiva da sua burrice, até que se lembra do monte de palha de feijão lá no terreiro da sala. Pula a janela e tafuia dentro do monte de palha pra afugentar aquele frio que lhe entrava até os ossos. E, de fato, lá embaixo, tava tão quentinho que ele dormiu sono profundo. Tão profundo que o dia amanheceu e ele nem tium. Continuou lá, todo encoberto, só com a ponta do nariz num buraco por onde entrava o ar. Lá fora, tudo gelou por causa da geada que chegara de madrugada.

O pai acordou, mãe também e as quatro filhas. Sol mal dava as caras.

- Bamo lá botá fogo na paia de feijão pra mode a gente esquentá, mininas? Chamou o pai.

E lá se foram e meteram fogo sem dó nem piedade na palha de feijão. O fogo rodeou todo o monte, pegando com certa dificuldade, pois estava meio úmido devido ao orvalho. Por isso o fumacê que começou a sair dali não tava no gibi. E aquela fumaça foi entranhando pro meio do monte e o calor do fogo também. O Zé Mané, ainda dormindo, começa a ficar prejudicado pela fumaça e pelo calor. Sufocado e suando, acorda. Sem entender nada, o instinto de sobrevivência avisa que ele tem que cair fora. Assustado, dá um pulo, fica de pé levantando cinza e fumaça e o fogo começa a chamuscar-lhe a pele. Zé Mané sai correndo empretecido, quase pelado, só de cueca vermelha desbotada, levando junto um canudo de fumaça e fogo. As moças, cada uma mais santa e donzela que a outra, são pegas de surpresa e não entendem nada. Nem reconhecem o moço. E vendo aquela figura estranha e inesperada saindo do meio do fogo, caem de joelhos, prontas para rezar, pensando estar vendo coisas do outro mundo.

- É o demônio! Gritou uma.

- É o capeta, mãe! Gritou outra.

- Livrai-nos Deus, Nosso Senhor! Berrou a mãe.

Zé Mané nem no quarto passou. Cheio de vergonha, ainda sem entender direito o acontecido, se mandou estrada a fora e só foi descobrir que estava nu ao entrar em Tabuí, sendo vaiado por um bando de moleques.

(Eurico de Andrade é autor do livro Nós Sofre Mais Goza - Causos de Minas, e colabora com a Jangada Brasil)

AMÔ NUM CORRESPONDIDO

- Ôça bem o que lhe digo:
Que pecado foi que eu fiz
Pra merecê o castigo
De se tão desinfiliz?

- Ué! Num sei, nhô Antónho Luiz
– Puis, mecê (que é meu amigo)
Fique sabeno: É que eu quis
Que nem lôco a Oróra Trigo
E a marvada, nhô Derfim
Nunca quis sabê de mim…
- Ahn! Purisso é que nhô Ná

Véve falano, o bandido
Que amô num correspondido
É que-nem guspada pro á

***

SE É A PREMÊRA VEIZ!

- Segunda-fêra que vem
(se Deus quisé e a pulicia
dexá), eu caso co a Alícia
E creio que caso bem

Ela é devota que-nem
Pôca gente, nha Filicia
E é uma muié sem malícia
Que, pra trabaiá, num tem!

- O que?! Mecê vae casá?!
E num tem medo, nhô Tasso?!
– Sim. Ar-veiz, eu tenho, e forte!

Mais, ara! Isso é naturá
Se é a premera veiz qu’eu faço
Uma asnera desse porte!

(COSTA, Fontoura. Matutices)

• Da cintura pra baixo, não há mulher feia
• Ao avarento falta o que não tem e falta o que tem
• Cada qual tem a idade que parece ter
• Debaixo duma ruim capa está um bom jogador
• Jabuti não pega ema
• Irmão de barqueiro não paga a passagem
• Ensaboar cabeça de burro é perder tempo
• Entre Antônio e João, planta teu feijão
• Mais custa sustentar um vício que educar um filho
• O ruim barbeiro não deixa couro nem cabelo

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