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| FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre
festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas;
instrumentos musicais... |
SÃO SEBASTIÃO NUM REIS DE BOI |
São Sebastião é como São Benedito um dos santos mais queridos e
festejados em terras capixabas. Em sua honra e louvor dramatiza-se, agora todos os anos,
em Conceição da Barra, a imponente festa popular do Alardo e em toda a parte, há
folia de Reis, a 19 e 20 de janeiro, brincando-se também, em São Mateus,
Conceição da Barra e povoações do norte do estado, o chamado reis de boi,
variante dos bumba-meu-Boi do Nordeste.
Em Conceição da Barra, a 20 do corrente, pudemos apreciar e aplaudir a representação
de um reis de boi, organizado e dirigido por mestre José de Carvalho, vulgo José
barrigudo.
Este reis de boi compunha-se do mestre, do sanfoneiro, do Vosso Pai, de João Mole
(um boneco desengonçado), de Pai Francisco e sua mulher Catirina, da Cobra, de Agaú
a fantasma do Boi e de mais quatorze marujos com seus pandeiros.
Como nos ternos de reis, o início da representação compreende cantorias de reis diante
da porta da casa, fechada e de luzes apagadas:
O oriente saiu fora
ô menino vá vê quem é
É os treis Reis de Oriente
na barquinha de Noé
* * *
Em Belém cantô um galo.
Ai meu Deus, quem nasceria?
Foi o neto de Santana
Filho da Virge Maria
* * *
Porta aberta, luz acesa,
Entramos com alegria;
Aqui nos mandô Deus Padre,
filho da Virge Maria.
Também há, como nos Santos Reis, o descarte, entoado num batuque sacudido e
ligeiro:
Sinhora dona da casa
Gaio de alecrim maió,
a sua sombra me cobre
que chova, que faça só
* * *
No caminho me dissero
que aqui vinhemos cantá
o sinhô dono da casa
tinha munto que nos dá
* * *
Alecrim bateu na porta,
manjerona que sai.
O sinhô dono da casa
a porta mandai me abri.
Depois, desenvolve-se o enredo do reis de boi, tal como nos bumba-meu-boi.
Entre as marchas e toadas que ouvimos cantar em louvor de São Sebastião, recolhemos e
gravamos estas três:
Boa luz que vos alumeia
Deus vos sarve este salão.
Vinhemos recebê as novas
De Santo Sebastião
Nóis samo aquelas folhinhas
que avóa quando o vento dé.
Glorioso São Sebastião
que veio nos ajudá.
O meu Santo Reis
que santo lindo e adorado
Santo Sebastião
no vosso dia festejado
É verdade que, segundo me informaram, esses versos se prestam a louvar qualquer santo
de festa, e, como são versos de Reis, é possível que, originariamente, em lugar de São
Sebastião, estivesse aí o Menino Deus, São José, a Virgem Maria, Santana ou os três
Reis Magos.
Na gravação que fizemos da segunda marcha, por exemplo, serviu ela, alterada, de canto
de despedida. Assim:
Nóis samos aquelas folhinha
que avôa quando o vento dá
Se não tivé a seu gosto
oi quera nos descurpá.
E foi assim que vimos, dentro ainda do ciclo de Natal, o glorioso São Sebastião
louvado e cantado num bulhento e pitoresco reis de boi, lá na longínqua e mimosa
cidade de Conceição da Barra.
(Neves, Guilherme Santos. "São Sebastião num
reis de boi". Vida Capixaba. Vitória Janeiro de 1951) |
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