| São Sebastião é muito popular no Brasil,
padroeiro da cidade se São Sebastião do Rio de Janeiro, titular da respectiva
arquidiocese, orago de 144 paróquias e dando nome a sete municípios
brasileiros, além de
vilas e povoados. Na batalha final contra os franceses que ocupavam a Guanabara, "a
crença, segundo a tradição corrente entre os tamoios e assinalada por alguns dos nossos
cronistas, entre os quais Melo Morais pai, diz que o próprio santo protetor da cidade foi
visto de envolta com portugueses mamelucos, e índios, batendo-se contra os
Calvinistas" (Max Fleiuss, História da Cidade do Rio de Janeiro, 49,
Melhoramentos, São Paulo, sd). E o dia da luta coincidiu com a festa de São
Sebastião, 20 de janeiro de 1567. Sebastião nasceu em Narbona e foi legionário do
Imperador Carino. Diocleciano nomeou-o chefe da
primeira coorte dos pretorianos. Cristão auxiliando seus irmãos na fé, foi denunciado
ao imperador, que o mandou amarrar em uma árvore e seteá-lo até a morte.
Sebastião merecera do papa Caio o título de Defensor da
Igreja. Deixado como morto, Sebastião foi pensado e curado por uma viúva, Lucina. Sua
representação clássica é nesse suplício onde não morreu.
Voltando a saúde, Sebastião procurou encontrar-se com o
Imperador e exprobrou-lhe a crueldade brutal. Diocleciano fê-lo perecer bastonado, no dia
20 de janeiro de 288 em Roma. Tinha 38 anos. Os cristãos retiraram-lhe o cadáver da Cloaca
Maxima, sepultando-o na catacumba que teve o seu nome. Uma basílica, perto da Porta
Capena, ergueu-se em sua honra.
Parte das relíquias de seu corpo foi dada pelo papa
Eugênio II à abadia de Saint Médard de Doissons em 828. É o santo defensor das
moléstias contagiantes, invocado nas epidemias. Nas guerras e escassez de víveres. Os
devotos de São Sebastião não morrem de fome, de peste nem de guerras.
(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro) |