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Janeiro 2001
Ano III - nº 29

SÃO SEBASTIÃO

São Sebastião é muito popular no Brasil, padroeiro da cidade se São Sebastião do Rio de Janeiro, titular da respectiva arquidiocese, orago de 144 paróquias e dando nome a sete municípios brasileiros, além de vilas e povoados. Na batalha final contra os franceses que ocupavam a Guanabara, "a crença, segundo a tradição corrente entre os tamoios e assinalada por alguns dos nossos cronistas, entre os quais Melo Morais pai, diz que o próprio santo protetor da cidade foi visto de envolta com portugueses mamelucos, e índios, batendo-se contra os Calvinistas" (Max Fleiuss, História da Cidade do Rio de Janeiro, 49, Melhoramentos, São Paulo, sd). E o dia da luta coincidiu com a festa de São Sebastião, 20 de janeiro de 1567. Sebastião nasceu em Narbona e foi legionário do Imperador Carino.

Diocleciano nomeou-o chefe da primeira coorte dos pretorianos. Cristão auxiliando seus irmãos na fé, foi denunciado ao imperador, que o mandou amarrar em uma árvore e seteá-lo até a morte.

Sebastião merecera do papa Caio o título de Defensor da Igreja. Deixado como morto, Sebastião foi pensado e curado por uma viúva, Lucina. Sua representação clássica é nesse suplício onde não morreu.

Voltando a saúde, Sebastião procurou encontrar-se com o Imperador e exprobrou-lhe a crueldade brutal. Diocleciano fê-lo perecer bastonado, no dia 20 de janeiro de 288 em Roma. Tinha 38 anos. Os cristãos retiraram-lhe o cadáver da Cloaca Maxima, sepultando-o na catacumba que teve o seu nome. Uma basílica, perto da Porta Capena, ergueu-se em sua honra.

Parte das relíquias de seu corpo foi dada pelo papa Eugênio II à abadia de Saint Médard de Doissons em 828. É o santo defensor das moléstias contagiantes, invocado nas epidemias. Nas guerras e escassez de víveres. Os devotos de São Sebastião não morrem de fome, de peste nem de guerras.


(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)

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