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| OFICINA
- Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária;
artesanato; vendedores ambulantes; pregões... |
25 de maio de 1865Em todos os portos de mar, O mercado de peixes é o ponto
favorito de Agassiz; há para ele aí um interesse todo especial, pela variedade e beleza
dos peixes que todas as manhãs são trazidos. Costumo muitas vezes acompanhá-lo pelo
prazer de ver os mostruários cobertos de laranjas, flores e legumes, e para observar os
grupos pitorescos dos negros tagarelando e vendendo as suas mercadorias. Sabemos agora que
esses negros atléticos, de traços corretos e tipo mais nobre que o dos negros dos
Estados Unidos, são os minas, originários da província de Mina na Africa ocidental. É
uma raça possante, e as mulheres em particular têm as formas muito belas e um porte
quase nobre. Sinto sempre o mesmo prazer em contemplá-las quer na rua quer no mercado,
onde se vêem em grande número, pois as empregam mais como vendedoras de frutas e legumes
do que como criadas. Dizem que há, no caráter dessa tribo, um elemento de independência
indomável que não permite empregá-la nas funções domésticas. As mulheres têm sempre
a cabeça coberta com um alto turbante de musselina e trazem um longo xale de cores
berrantes, ora cruzado sobre os seios, ora negligentemente atirado ao ombro, ou então, se
faz frio, estreitamente enrolado em volta do busto, com os braços metidos em suas dobras.
A diversidade de expressões que elas sabem, por assim dizer, tirar das diferentes
maneiras de usar esse xale é de fato surpreendente. Há pouco, observei na rua uma negra
alta e bela, admiravelmente bem talhada, que se mostrava presa de extrema agitação. Com
gestos violentos ela afastava o seu xale e atirava os dois braços para trás; depois,
puxando-o violentamente para si, enrolava-o em volta do corpo e de novo o desenrolava em
todo o seu comprimento; num movimento rápido, apertou-o ainda uma vez na cintura e, de
repente, sem desprendê-lo, deu um tapa na cara do seu interlocutor; por fim, atirando o
comprido xale para o ombro, foi-se orgulhosamente embora, com ares de uma rainha trágica.
Quando é preciso, esse xale serve também de berço; enrolado frouxo em volta da cintura,
recebe nas suas dobras o filhinho que, montado nas costas de sua mãe, adormece docemente
embalado pelo balanço pronunciado dos quadris. A negra mina é quase sempre notável pela
beleza dos braços e elegância das mãos. Parece bem que ela tem a consciência disso,
porque traz geralmente aos pulsos braceletes apertados, de miçangas, cujas ricas cores
dão realce à finura das mãos e se casam admiravelmente com o bronzeado e o luzidio de
sua pele. Os homens dessa raça são maometanos e conservam, segundo se diz, a sua crença
no Profeta, no meio das práticas da igreja católica. Não me parecem tão afáveis e
comunicativos como os negros Gongos; são pelo contrário bastante altivos.
Certa manhã, encontrei alguns deles almoçando depois do trabalho; parei para falar com
eles e ensaiei diferentes modos de entrar em conversação. Lançaram-me um olhar frio e
desconfiado, responderam secamente às minhas perguntas e se sentiram visivelmente
aliviados quando os deixei.
(Agassiz, Louis. Viagem
ao Brasil: 1865-1866. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1975) |
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