O folclore é a ciência do saber popular, que perpetua a literatura oral, constituindo um valioso auxiliar nos estudos da sociologia, psicologia, história e outras ciências.
A palavra “folclore” apareceu pela primeira vez em 1846, em uma carta assinada por Amoroso Morton – pseudônimo do arqueólogo Williams Thomas, no Atheneum – propondo-se substituir a expressão um tanto imprópria de “antigüidades populares” (Popular Antiquities – título de um livro de Brandt).
Inicialmente, o seu sentido se restringiu às tradições orais, tomando mais tarde maior amplitude, incorporando também toda técnica material.
Hoje, a palavra folclore (do inglês folk – povo; lore – saber), designando o “saber popular”, já se tornou de uso universal, apesar de outros vocábulos terem sido propósitos no correr dos anos, desde a sua primeira aparição; demopsicologia, antropopsicologia, mitografia, tradições populares e, talvez, muitas outras que não conseguiram vencer o tempo.
Na afixação da sabedoria popular – tradições, superstições, cantigas etc. – encontramos um valioso material para o conhecimento fiel da evolução cultural de um grupo social determinado.
Os estudos sobre folclore no Brasil têm sido levados a efeito por um número relativamente pequeno de estudiosos e curiosos. Alguns de nossos conhecidos escritores têm se servido do abundante material folclórico existente em nosso país para a exploração de uma literatura regionalista, fantasiada de um humorismo nem sempre existente.
Assim, o folclore tem se prestado ao ridículo papel de depreciador da mentalidade simples de nossos caipiras, capiaus, tabaréus, ou o que quer que lhes chamem.
Entretanto, é de muito maior importância o seu estudo, como fornecedor de preciosos elementos que venham colaborar nas investigações de ordem sociológica de um determinado grupo ou comunidade.
O folclore não tem um caráter de estabilidade, mas, pelo contrário, está sempre sofrendo constantes transformações no seu conteúdo, conforme a atuação de certos agentes étnicos, políticos ou mesmo econômicos modificadores do meio.
Assim é que podemos observar o quanto certas lendas indígenas, cantigas de ninar, adivinhas populares etc., têm sofrido modificações nas diferentes regiões onde ocorrem.
Esse fato devemos, certamente, às influências mesológicas, fatores de imigrações, religiões, civilização etc.
Daí, a conveniência de ao tratar-se de folclore, sempre regionalizar as observações coligidas, possibilitando, no presente ou no futuro, aos estudiosos do assunto e aos pesquisadores da sociologia, história etc., a investigação dos fatores que possam ter influído na flagrante alteração das tradições populares, em cada uma das regiões ou em cada um dos grupos sociais estudados.
Em Minas Gerais, como em muitos dos estados brasileiros, é vastíssimo o caudal de tradições populares. Há um precioso material folclórico a colher e a ser estudado.
Talvez tenhamos oportunidade de trazer ao público uma coleção de peças do folclore mineiro para que possamos apreciar e aquilatar a sua importância.
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