Era uma vez uma velha de mais de setenta anos de idade, que costumava fumar três cachimbos toda a noite.
O último cachimbo ela deixava cheio, em cima do fogão, para fumar mais tarde.
Mas aconteceu que o tal cachimbo aparecia só com um pouquinho de fumo. Alguma tentação estava se associando, decerto, no cachimbo da velha.
Uma noite, a velha ficou sondando. Veio um negrinho, olhou pelo buraco da chave, entrou, sentou no fogão e acendeu o cachimbo, fumando à vontade.
— Ah! é o saci — disse a velha consigo mesma. — Amanhã ele me paga!
Quando foi na outra noite, ela pôs pólvora no cachimbo e só em cima da pólvora um pouco de fumo.
O saci veio. Acendeu o cachimbo e começou a tomar. De repente, porque foi aquele estrupício! O saci levou um susto, saiu pulando, errou a porta, homem! passou mal o talzinho para se escapar. E nunca mais voltou para atentar a velha.
(Contou Elze Rodrigues de Lima. Aluísio de Almeida. Revista do Arquivo Municipal, nº144, 1951, p.234)
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