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Folclore dos vegetais

A maconha

Renato Almeida

O fumo de Angola, liamba ou diamba, é a maconha, que constitui um dos mais terríveis entorpecentes, contra o qual as autoridades sanitárias movem guerra de morte. Teria sido trazido para o Brasil pelos negros angoleses e aqui se adaptou no norte e nordeste. Dizem os estudiosos do assunto (embora seja contestado) que a maconha entra nos candomblés, inclusive no Rio de Janeiro e penso mesmo que nos ritos caboclos ela deva aparecer igualmente. E é sabida a tendência do uso da droga em conjunto, chamado de maricas, no nordeste, usando-se em cigarros ou cachimbos. São os clubes dos diambistas.

Essa coleta lhe será difícil de fazer, dada a perseguição que sofre a maconha, mas alguns escritores têm recolhido versos alusivos:

Eu morro de boca torta
de tanto chupar maconha

ou então

Ó diamba, sarbamba!
Quando eu fumo a diamba
Fico com a cabeça tonta
E com as pernas zamba.

O dr. Francisco Iglésias nos descreve com muita vivacidade uma sessão do clube de diambistas e acentua que ainda acompanham a maconha termos dos africanos que nos trouxeram o tóxico. A própria natureza do vício a impregna de elementos folclóricos, como têm observado os especialistas.

 

(Almeida, Renato. Manual de coleta folclórica. Rio de Janeiro, Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1965, p.108)

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