Na base da alimentação de nosso povo está a mandioca e a cultura dessa raiz, que nos ensinaram os índios, desenvolveu-se por toda parte. Assim, desde os primeiros cronistas, que registaram os contatos iniciais do civilizado com o selvagem, temos notícia da plantação e aproveitamento da mandioca para um sem número de utilidades culinárias, a começar pela farinha, forma mais generalizada, que está na mesa do pobre e do rico, até pratos, doces e bebidas que se fabricam com a mandioca brava ou com a mandioca doce, aipim ou macaxeira.
Talvez nenhum vegetal tenha, no Brasil, um âmbito mágico-religioso maior do que a mandioca. Várias lendas de sua origem, como a que a faz brotar da sepultura de uma menina, filha de uma índia virgem, Mani; ou a que lhe dá por origem também a sepultura de uma índia, que pediu à mãe para ser enterrada viva, porque o pai a desprezava. Nas culturas indígenas, por ser a mandioca um elemento essencial à alimentação, se inclui entre as plantas mágicas. Os índios Tenetehara, numa lenda do começo da agricultura, simbolizam-na no cultivo da mandioca.
Por isso, observe com atenção como se faz, na região de sua coleta, o cultivo da mandioca e até onde perduram os elementos mágicos que a cercaram e cercam entre os índios, ou outros que se tenham criado posteriormente.
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