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Folclore dos vegetais

O coco

Renato Almeida

Numa terra de imensos coqueirais de uma variedade incrível de cocos, é natural que o folclore o tome como grande motivo. Desde logo é o nome de uma dança nordestina de sapateado, de que já se falava em 1829. Dançar o coco se diz quebrar coco. Às vezes, os versos aludem ao coco, como

Quebra coco, quebra coco,
Na ladeira do Piá!

ou então

Quebra coco, quebra coco
Quero ver quebrá.

ou ainda

Menina de saia curta
Saltadeira de riacho
Tu sobe no pé do coco
Pra botar coco pra baixo.

Em sua maioria os textos versam sobre outros assuntos e nenhum, mais conhecido hoje do que a Muié rendeira.

A poesia folclórica está cheia de inspirações no coco e na poesia dos coqueirais, que de forma tão bela caracterizam as paisagens da Bahia para o norte.

Um poeta popular cearense falou

Da brisa entre coqueiros
Provocando a poesia.

Mas coco e coqueiro devem ser observados também em outros planos da cultura popular. Por exemplo a importância do coco é enorme na alimentação e na doçaria, de um lado, e, do outro, na arte e artesanatos populares, pelas fibras que fornece para a cestaria, os trançados em geral, e para a construção, pois serve de teto a muitas casas, e em certas regiões também de parede.

 

(Almeida, Renato. Manual de coleta folclórica. Rio de Janeiro, Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1965, p.118-119)

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