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Tema do Mês

Maio 2008 - Ano X - nº 112

Sumário

As frutas

A cana-de-açúcar

O milho

O tabaco

A erva-mate

O coco

A mandioca

O algodão

A maconha

A magia vegetal

O homem e o vegetal

O mundo folclórico vegetal

O mundo vegetal e a mentalidade primitiva

Os mitos vegetais e as lendas

Plantas medicinais

 

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Folclore dos vegetais

As frutas

Renato Almeida

As frutas no Brasil, além das silvestres, constituem uma das fontes da alimentação do povo: a banana, a jaca, a fruta-pão, a melancia, o abacate, o mamão, o abacaxi, o coco e tantas mais; outras são regalos, para serem chupadas ou para refrescos e sorvetes, caju, o cupuaçu, o umbu, cujo suco misturado com o leite é tão apreciado, a laranja, etc. E numerosíssimas as que servem para doces e compotas, como por exemplo, a goiaba, o marmelo e a banana. Atenção para a nomenclatura, porque a mesma espécie tem diversos nomes, como fruta-de-conde, ata, anona ou pinha; buriti, meriti ou muriti; tangerina, laranja-cravo, mexeriqueira ou bergamota. Dentre as fruteiras do Brasil, o caju merece uma referência especial, não só pela fruta, de grande valor alimentício e com a qual se fazem doces e bebidas, sendo também usado em pratos de sal, como pela castanha, que se come salgada e confeitada, além de ser condimento apreciado, servindo também quando verde, maturi, para fritadas deliciosas, e utilidades industriais da árvore. Mas possui um grande folclore ao seu derredor, uma enorme quantidade de quadrinhas, como esta de Juvenal Galeno que se folclorizou

cajueiro pequenino
carregadinho de flô
eu também sou pequenino
carregadinho de amô.

ditos, como de caju em caju, tem seus cajus, adivinhas, etc. Grande importância na medicina popular, tido como remédio eficaz para sífilis e doenças de pele, além de afrodisíaco. Muito usado como elemento na decoração de cerâmica folclórica.

O folclore se liga a frutas de duas maneiras, quer diretamente, como acontece com a bananeira que, quando não dá mais cachos manda-se que um homem a abrace, para que produza novamente; quer indiretamente, quando aparecem referências a elas em várias formas folclóricas, adivinhas, provérbios, ditos, estórias, etc. como laranja madura na beira da estrada ou é podre ou está bichada. Nos tabus alimentares já vimos os muitos que se referem a frutas, sobretudo aquele que proíbe comê-las quente do sol, porque dá febre. E superstições, a de comer uvas brancas à entrada do ano novo. E ainda o nome da dança, como o coco, ou de gestos, como dar banana.

O mesmo lhe diria dos legumes, o maxixe, que foi também dança em voga; a Gata Borralheira colhe, com o auxílio do passarinho branco, todas as lentilhas que a madrasta atirara ao borralho, para poder ir ao baile; o pé do feijão do menino que roubou do gigante a galinha de ovos de de ouro e outras riquezas. Já falei na crendice de que os legumes que se alastram, como o chuchu ou a abóbora não devem ser comidos pelas pessoas que têm feridas ou ulcerações, porque estas se alastram também. E ainda anti-afrodisíacos, a exemplo da taioba ou do coentro.

(Almeida, Renato. Manual de coleta folclórica. Rio de Janeiro, Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1965, p.117-118)

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