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Tema do Mês

Junho 2009 - Ano XI - nº 125

Sumário

Noite de São João

Junho, o mês das tradições: fogueiras, balões e quadrilhas

Festas de junho

Bacamarteiros do Bonito

Adivinhas e tradições das festas juninas

Vida e morte da festa do povo

Santos festejados

Centelhas do folclore sulino matogrossense

 

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Festas Juninas

Santos festejados

Eneida

Desses fogos, confesso que tenho horror; cada bomba que arrebenta na rua me enche de raiva contra uma proibição que dizem existir mas que nunca foi posta em prática. Mas estamos em junho, mês de santos muito festejados e entre uma verdadeira guerra (quantas cabeças de negro estouram noite e dia na minha rua?), recebo de Salvador e leio encantada, um livrinho da folclorista baiana Hildegardes Viana, intitulado Festas de santos e santos festejados, editado pela Livraria Progresso, na coleção Cadernos da UBE.

A moça folclorista sabe contar suas estórias numa linguagem tão boa e tão simples que é uma delícia lê-la. Fala-nos das crendices populares, do "frio da Senhora Santana", de Cosme e Damião, de Santa Luzia, do Senhor dos Navegantes, de Santo Antônio, São João, São Pedro, justamente estes últimos os santos de junho, patrocinadores de casamentos, santinhos que gostam de festas barulhentas, as fogueiras ("para nós – conta Hildegardes –  a fogueira é uma lembrança da combinação entre Isabel e Maria. Quem primeiro tivesse o filho acenderia uma fogueira no monte avisando a outra. João veio primeiro e Isabé acendeu a fogueira para avisar a sua prima Maria") E vai Hildegardes ensinando-nos a tirar sortes nas noites desses santos alegres. A tirar sortes, a promover comilanças, a invocar os santos.

Gostaria de ter um espaço para reproduzir na íntegra hoje aqui, em homenagem aos foguetes, foguetinhos e foguetões dos santos de junho, uma das estórias narradas por Hildegardes, aquela em que São Pedro um dia resolveu fazer gente enquanto Jesus Cristo dormia cansado. Pedro não acertou a medida e saiu uma gente feia, cabeça chata, orelhas despregadas. Quando J. C. viu aquilo disse logo: "Pedro, ou você não soube fazer a massa ou então a chuva amoleceu o barro". "Foram ambas as coisas, senhor. Mas eu tinha tanta vontade de fazer gente!" Depois de uma certa discussão, J. C. com pena de Pedro, resolveu guardar aquelas criaturas, mas não sabia onde colocá-las. "No interior, – responde Pedro – No sertão. Deixá-los para tabaréu". E, termina Hildegardes: "É por isso que alguns tabaréus são tão mal acabados. Foram feitos por São Pedro num dia de chuva.

As bombas horrendas da minha rua, felizmente, não deram para atrapalhar ou perturbar a leitura do livrinho de Hildegardes Viana, a moça folclorista baiana. Lendo-a entre bombas e foguetes, compreendi porque há tanto barulho em junho. E estou lhe mandando um abraço grande pelo seu belo trabalho, simples e bom como ela própria o é.

(Eneida. "Santos festejados". Não foi possível identificar a fonte e data da publicação original deste artigo)

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