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Tema do Mês

Junho 2009 - Ano XI - nº 125

Sumário

Noite de São João

Junho, o mês das tradições: fogueiras, balões e quadrilhas

Festas de junho

Bacamarteiros do Bonito

Adivinhas e tradições das festas juninas

Vida e morte da festa do povo

Santos festejados

Centelhas do folclore sulino matogrossense

 

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Festas Juninas

Bacamarteiros do Bonito

A. Félix

Folha da Manhã, no seu suplemento domingueiro, publicou um artigo assinado pelo senhor Manuel Maria de Araújo, sob o título Bacamarteiros do Agreste pernambucano.

Lendo o aludido artigo, vieram-me à lembrança os bacamarteiros do Bonito. Lá também existe uma grande turma de bacamarteiros, que, por sinal, pertence quase toda a uma família, a família Rego, e tem o seu quartel-general na serra da Boa Vista.

Todos os anos, no dia de São Pedro, reúnem-se os bacamarteiros, em número superior a cinqüenta e sob a chefia do Pajé, o velho Manuel Rego, descem a serra, em direção à cidade, onde de nove para dez horas, em filas de dois ou de três, em passos ritmados, tendo à frente o comandante, que outro não é senão o velho Manuel Rego, todos de bacamartes ao ombro, sob o som harmonioso de sua inseparável "banda" musical, composta de uma harmônica, um triângulo e um reco-reco, percorrem as principais ruas da cidade.

As ruas se enchem de povo, as praças públicas ficam com os seus abrigos ocupados, à espera da passagem dos bacamarteiros, com a sua música original e que faz os mais idosos do lugar recordarem os seus bons tempos que já vão longe, muito longe, e do que, hoje, restam apenas saudades.

Percorridas as ruas da cidade, dirige-se a "tropa" à residência do cônego Chicó, a fim de lhe fazer uma saudação e, ao mesmo tempo, pedir-lhe licença para que possam festejar o dia de São Pedro em frente à capela do santo chaveiro do céu.

Com aquela bondade ilimitada, o cônego Chicó os recebe, com o seu sorriso amável e inseparável, sempre gracejando, como é do seu hábito, o que, aliás, muito cativa as pessoas que com ele convivem e concede a licença que aquele punhado de seus paroquianos foi lhe pedir.

O pajé Manuel Rego agradece ao cônego e, com a mesma formação de início, dirige-se com os festejos, passando pela rua da Matriz, praça Quatro de Outubro, praça da Bandeira e rua São Sebastião.

Chegando à capela de São Pedro, onde, majestoso, se ergue o secular monumento de São Pedro, também conhecido por Coluna de São Pedro, o velho Manuel Rego dá suas ordens e, dentro de poucos minutos, toda a sua tropa de bacamarteiros está formada em posição de combate, pronta para iniciar os festejos. O comandante examina tudo, faz as suas recomendações e vai ocupar o seu posto no seio dos seus comandados.

Como honra à sua posição de chefe da tropa, o primeiro disparo é dado por Manuel Rego, com o seu bacamarte todo enfeitado, cheio de fivelas, chapas de metal etc. e que lhe custou apenas Cr$ 1.200,00.

Feito o primeiro disparo, segue-se o do segundo colocado e assim por diante, até o último. Quando este dá o seu disparo, os primeiros já estão prontos para reiniciarem o tiroteio e assim continua até depois do meio-dia, quando o comandante dá a sua ordem de regressar, o que é feito ainda sob a mesma formação inicial, deixando a cidade toda coberta por um véu de fumaça.

No ano passado, esses bacamarteiros dispararam 1.200 tiros.

(Félix, A. "Bacamarteiros do Bonito". Folha da Manhã. Recife, 21 de julho de 1949)

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