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Tema do Mês

Junho 2009 - Ano XI - nº 125

Sumário

Noite de São João

Junho, o mês das tradições: fogueiras, balões e quadrilhas

Festas de junho

Bacamarteiros do Bonito

Adivinhas e tradições das festas juninas

Vida e morte da festa do povo

Santos festejados

Centelhas do folclore sulino matogrossense

 

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Festas Juninas

Noite de São João

W. R.

Há cem anos, transcrevia o Correio Paulistano, do Jornal da Bahia, uns singelos versos sobre a noite de São João, que, dado o pitoresco da linguagem e a oportunidade da data que hoje se festeja, não nos furtamos ao prazer de trazer para este canto. Lá vão eles:

I

– Que é isto, amigo? – que é isto?
– Dê licença por quem é!
– Assim tão esbaforido!
– Ai, senhor! venho corrido
De um tremendo buscapé!

– Buscapé!? que é da polícia
Tão ativa e perspicaz
– Que quer!? a polícia é boa...
Mas um foguete que voa
Ela não há de ir atrás!...

– Oh! que foguete maldito!
Acredite-me, senhor
É tal e qual; – do diabo
Em chamas parece o rabo
Solto atrás de um pecador!

É fino, comprido, imenso
Anda como um caracol
Pela noite abrindo riscas
Deixa um mundo de faíscas
De fumaça um arrebol

É o diabo em pessoa
Ou um foguete a voar!
De dentro de uma taboca
Lança fogo pela boca
Rabeia até estourar

Quando estoira – é que ao demônio
Mais assemelha-se, então
Vomita pólvora, enxofre
Deixa ao sumir-se de chofre
Traço negro sobre o chão!

É um espectro medonho
Para qualquer pretensão
Origem de contratempos
É destes modernos tempos
A varinha de condão!

Desmorona altos castelos
Abate muita altivez
Com uma pancada sua
Feito no mundo da lua
Quebra maciço pavez

Taboca – diz – desengano!
Taboca – diz – pontapé!
Em amores – diz – logrado!
Em política – mamado!
Em São João – buscapé!
 

II

Contudo a noite é mui bela
A noite de São João!
É fogo por toda parte
Fogo natural e d'arte
No ar e no coração!

Tudo nesta noite santa
Acorda e põe-se de pé!
Pelo lado da canjica
A portas de amor se abica
Namora-se a buscapé...

Toda chamas a cidade
Como é formosa e feliz!
Estoura agora – mas logo
Em cachoeiras de fogo
É qual ígneo chafariz

É tudo fulgor – incêndio
Pavio – enxofre – morrão
Cada olho é um foguete
Que em luz maga se derrete
Brasa – cada coração!

As cabeças são de pólvora
Prontas sempre a se inflamar
Os lábios – oh! não se explica!
Sabem todos a canjica
Doces... doces de enjoar!...

Noites de grandes milagres
Eu te saúdo de pé!
Mas peço-te por teu santo
Que não chamusques teu mando
Co'o danado buscapé!

(W. R. "Noite de São João". Correio Paulistano. São Paulo, 24 de junho de 1956)

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