Era uma vez uma velha de mais de 70 anos de idade, que costumava fumar três cachimbadas toda a noite.
O último cachimbo ela deixava cheio, em cima do fogão, para fumar mais tarde.
Mas aconteceu que o tal cachimbo aparecia só com um pouquinho de fumo. Alguma tentação estava se associando, de certo, no cachimbo da velha.
Uma noite, a velha ficou sentada. Veio o negrinho, olhou pelo buraco da chave, entrou, sentou no fogão e acendeu o cachimbo, fumando à vontade.
Ah! é o saci! — disse a velha consigo. Amanhã ele me paga.
Quando foi na outra noite, ela pôs pólvora no cachimbo e só em cima da pólvora um pouco de fumo.
O saci veio. Acendeu o cachimbo e começou a fumar. De repente: poque! foi aquele estrupício. O saci levou um susto, saiu pulando, errou a porta, homem! passou mal o talzinho para se escapar.
E nunca mais voltou a "tentar" a velha.
Contou Elze Rodrigues de Lima. Rodeio, Itapetininga.
(Recolhido pelo cônego Luís Castanho de Almeida, em 1958)