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Tema do Mês

Julho 2009 - Ano XI - nº 126

Sumário

Repartimento do boi

Bumba-meu-boi

Boi-bumbá; em junho, festa do povo

O "entremeio" do boi (Boi de reisado)

Tradicionalismo folclórico da fogueira: O bumba-meu-boi junino

Um auto popular do Sul

Boi-de-mamão; São Francisco do Sul, Santa Catarina

Ritos totêmicos

 

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Folguedos do boi

Repartimento do boi

Antigamente, nas brincadeiras de Reis de boi, o vaqueiro matava o boi e o repartia peça por peça. Hoje, com o infundado receio do "boi da cara preta" é bem possível que não se veja com bons olhos ou com bom apetite cada pedaço que o vaqueiro do boi araca, ou boi janeiro vai destinando aos que assistem à representação folclórica. Se, porém, tudo correr como estamos esperando, no dia 8 de setembro será possível assistirmos a um Reis de boi de Conceição da Barra no desfile dos grupos folclóricos.

Existe uma grande variedade de Repartimento do boi, cada um de acordo com a veia poética do vaqueiro. No Reis de boi, há apresentação de várias figuras que dançam ao cântico dos marujos e ao ritmo dos pandeiros, tais como: a loba, o lobisome, a pantasma, a casa de farinha, a moenda e o boi. A cena do boi é mais pitoresca, pois o vaqueiro chega com o boi, oferece-o ao dono da casa, discute com ele, relata as dificuldades que teve um prender o animal, exalta sua bravura, etc. Depois dessa lenga-lenga, onde se ouvem os ditos chistosos, o vaqueiro resolve abater o boi reparti-lo. De cada pedaço, destinado a uma pessoa, em versos cantados, os marujos respondem em coro: Seu tenente mandou me chamar.

E aqui vai um Repartimento do boi que nos foi ditado por Rufino de Cristina, de Conceição da Barra.

O peso da língua
É de dona Laurinda
O peso do focinho
É do meu vizinho
O peso do dente
É do presidente
O peso da goela
É de seu Quilimério
O peso do bofe
É de Zé Timóteo
O peso do figo
Esse é do meu amigo
O peso das oreia
É dessa muié feia
O peso da remela
Pras moça da janela
O peso do chifre
É do pessoal do feitiço
O peso do pescoço
Esse é daquele moço
O peso da pá
É de seu marechá
O peso da mão
É de seu João
O peso da unha
É de Eugênio Cunha
O peso do pé
É de seu coroné
O peso da espinha
É de dona Mariquinha
O peso do rim
Esse é para mim
O peso do bucho
É do Zé Tibúrcio
A tripa mais fina
É de dona Josefina
A tripa mais grossa
É das muié da roça
A tripa gaiteira
É das muié solteira
O osso do corredor
Esse é meu eu não dou
O peso do colchão
É do meu cidadão
Esta chã de fora
É de dona Vitória
O quarto traseiro
É dos rapaz solteiro
O peso de couro
É daquele besouro
O peso da rabada
É da rapaziada

("Repartimento do boi". A Gazeta. Vitória, 21 de agosto de 1958)

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