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Tipos populares do Rio antigo

 

O príncipe Natureza
Quem era, porém, esse gênio que se antecipava aos lauréis do triunfo? Quem esse modelo de assombrosa eloqüência em vésperas de sua apoteose? Nada mais nem nada menos do que o africano Miguel, outrora escravo dos frades de São bento, e empregado depois de liberto como servente em uma das repartições da Marinha.

 

O Bolenga
O Bolenga era baixote, claro, de olhos verdes, sempre oval, trazia cabelo rente, andava quase sempre de chapéu na mão e limpando o suor com um lenço de rapé, grande e vermelho. Trajado de preto, por baixo do colete e da sobrecasaca ensebada assentava o cabeção de padre, a volta guarnecida de uma renda estreita e suja, dificilmente conciliáveis com a atual teoria dos micróbios.

 

O Policarpo
O Policarpo era um homem alegre, expansivo, jovial. Na capela os companheiros o tratavam com amenidade e o distinguiam com louvor. De um momento para outro, notou-se-lhe diferença nos modos, nos gestos, no semblante.

 

O padre Quelé
Era um pardo já velho, magro, corcunda, cambaio, de rosto comprido; andava apressado, suspendia o passo como quem caminha na lama ou na areia. Não chegando a receber as quatro ordens menores, ficou em prima tonsura, pelo que usava barba rapada e coroa de minorista.

 

O Chico Cambraia
O Chico Cambraia era um pardo de 50 anos, alto, corpulento, cor de formiga; tocava violão e cantava modinhas e lundus. A sua voz, um pouco aflautada, marchetava de certa graça os fadinhos que executava, especialmente em tons menores.

 

O "Maia" da Praia Grande
Não há por certo vinte anos que, errando pelas ruas e praças, estacionando nas pontes e à mercê do destino, via-se o célebre Maia, o mais popular dos tipos de rua da vizinha e pitoresca Praia Grande. Quem ele era e donde vinha é um segredo envolvido no espesso sendal das sinas aziagas, na deslealdade de um fado que transparecia adverso.

 

O Picapau
Não há muitos anos morava em uma casa nobre da rua de Matacavalos, um indivíduo magro, fanadinho, pálido, imberbe, de andar velocíssimo, conhecido geralmente pelo Picapau. A razão da alcunha estava em ter ele enorme nariz, ridiculamente aquilino, cuja ponta ultrapassava o lábio inferior.

 

A Maria Doida
Nesta imensa e populosa cidade muita gente existe que dá notícias exatas da Maria Doida, por tê-la conhecido de vista ou mesmo gozado de sua privança. Esta mulher era uma parda viúva, regulava ter uns 50 anos, trajava de preto, usando constantemente dois longos cachos de cabelos finos e grisalhos, que contrastavam sensivelmente com a sua cabeleira dura e incorrigível, de verdadeira mestiça.

 

A Forte-Lida
A história desta mulher talvez fosse um desses dramas ignorados que conduzem o protagonista ao suplício da loucura. Por mais que tentássemos, nunca conseguimos descobrir o segredo daquela existência votada aos assobios dos moleques, às apupadas dos meninos, às provocações da vadiagem, que anunciavam-lhe a exibição nas ruas.

 

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