A onça andava louca de raiva com o gambá que lhe havia pregado uma peça e saiu à procura dele disposta a tirar uma desforra.
Ia indo pelo mato, quando ouviu um barulho esquisito. Espiou através das folhagens: era gambá que tirava cipó. Sorriu, satisfeita. Agora ele não lhe escaparia! Aproximou-se e o gambá, quando a viu, pensou lá consigo: "Estou perdido!". Mas logo inventou um plano; fez cara muito feia e disse, tremendo:
– Bom aparecer alguém! Ajude-me a tirar cipó, depressa. Quero me amarrar a uma árvore que vem aí um tufão e pode me carregar.
A onça compreendeu o perigo e ajudou a tirar cipó. Quando tinham uma boa quantidade, ela exigiu, ameaçadora:
– Amarre-me primeira a essa árvore grossa. Eu sou maior que você e o vento me pegará com mais força.
O gambá ainda fez um luxinho, quem o amarraria depois? Mas a onça não quis saber de nada. Abraçou-se à árvore e o gambá amarrou-a solidamente. Feito o serviço, ele se pôs a dançar e a cantar:
– Não há vento nenhum! Fique aí, diaba. Eu vou dando o fora!