O jabuti tem papel saliente no folclore indígena, no qual, à semelhança da raposa de La Fontaine, é apresentado como a personificação da manha, da astúcia, aliadas à paciência.
Inúmeras são as histórias em que entra este quelônio como figura principal apresentando os seus brasões.
Hoje, vou apresentar mais uma, cujo autor não declinou o nome e que foi ouvida na zona do rio Coluene, que separa Goiás de Mato Grosso e se vai lançar no Araguaia. Ei-la:
Cinco pequenos jabutis combinaram fazer um piquenique. Depois de embrulhar a comida necessária, puseram-se a caminho do sítio escolhido. Três anos depois, chegaram ao lugar, estenderam alva toalha sobre a relva, colocaram sobre ela o farnel e as bebidas e foi então que descobriram haver esquecido o saca-rolhas.
– Mau, mau! – exclamou o mais velho. – Eu mesmo não voltarei para buscá-lo. O mais novo que vá.
O mais novo concordou:
– Eu vou, mas bem sei o que vocês farão quando me apanharem longe; comerão tudo.
– De modo nenhum! – disseram os outros. Esperaremos sua volta.
E lá se foi o jabuti mais moço buscar o saca-rolhas.
Quinze anos decorreram e o jovem jabuti não havia ainda regressado.
– Bem, bem, – disse um deles, – já começo a cansar-me de esperar.
– E não é só isso, – disse outro, – eu por mim já estou com fome.
– E se mordiscássemos uma codeazinha de pão enquanto esperamos? – aventurou o terceiro.
– Boa idéia, – concordaram todos. – Quem vai dar por falta de uma migalha de pão?
E os quatro jabutis puseram-se a comer.
No mesmo instante, a relva apartou-se e a cabeça do jabuti mais novo surdiu de repente:
– Apanhei-os ou não os apanhei?! – exclamou. – Olha se eu tivesse ido!...
E abancou-se para comer...
Diz um provérbio que O mal que se não pode remediar, aligeira-o a paciência.
Cala, sofre e ri, a paciência esperará por ti. (De um velho provérbio do Tirol).
A paciência é a cabeça da riqueza (Provérbio abissínio).
Paciência é a chave da justiça (Provérbio árabe).
A paciência é uma árvore com raiz amarga mas que produz os mais doces frutos (Provérbio persa).