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Tema do Mês

Janeiro 2009 - Ano XI - nº 120

Sumário

O caso da abelha

O jabuti e o saca-rolhas

A onça e o gambá

A onça e a anta

O caso do bicho homem

A onça que procura justiça

O fabulário fluminense

 

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Fábulas Brasileiras

O jabuti e o saca-rolhas

O jabuti tem papel saliente no folclore indígena, no qual, à semelhança da raposa de La Fontaine, é apresentado como a personificação da manha, da astúcia, aliadas à paciência.

Inúmeras são as histórias em que entra este quelônio como figura principal apresentando os seus brasões.

Hoje, vou apresentar mais uma, cujo autor não declinou o nome e que foi ouvida na zona do rio Coluene, que separa Goiás de Mato Grosso e se vai lançar no Araguaia. Ei-la:

Cinco pequenos jabutis combinaram fazer um piquenique. Depois de embrulhar a comida necessária, puseram-se a caminho do sítio escolhido. Três anos depois, chegaram ao lugar, estenderam alva toalha sobre a relva, colocaram sobre ela o farnel e as bebidas e foi então que descobriram haver esquecido o saca-rolhas.

– Mau, mau! – exclamou o mais velho. – Eu mesmo não voltarei para buscá-lo. O mais novo que vá.

O mais novo concordou:

– Eu vou, mas bem sei o que vocês farão quando me apanharem longe; comerão tudo.

– De modo nenhum! – disseram os outros. Esperaremos sua volta.

E lá se foi o jabuti mais moço buscar o saca-rolhas.

Quinze anos decorreram e o jovem jabuti não havia ainda regressado.

– Bem, bem, – disse um deles, – já começo a cansar-me de esperar.

– E não é só isso, – disse outro, – eu por mim já estou com fome.

– E se mordiscássemos uma codeazinha de pão enquanto esperamos? – aventurou o terceiro.

– Boa idéia, – concordaram todos. – Quem vai dar por falta de uma migalha de pão?

E os quatro jabutis puseram-se a comer.

No mesmo instante, a relva apartou-se e a cabeça do jabuti mais novo surdiu de repente:

– Apanhei-os ou não os apanhei?! – exclamou. – Olha se eu tivesse ido!...

E abancou-se para comer...

Diz um provérbio que O mal que se não pode remediar, aligeira-o a paciência.

Cala, sofre e ri, a paciência esperará por ti. (De um velho provérbio do Tirol).

A paciência é a cabeça da riqueza (Provérbio abissínio).

Paciência é a chave da justiça (Provérbio árabe).

A paciência é uma árvore com raiz amarga mas que produz os mais doces frutos (Provérbio persa).

("O jabuti e o saca-rolhas". Revista Única, maio-junho de 1953)

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