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Saci Pererê

 

Inferno, cão e enxofre
É idéia generalizada de que dominam o inferno, fogo e enxofre. A literatura popular, mais do que a religiosa, está cheia de lendas, de histórias, de simples incidentes em que caldeiras fervendo, cheiro de enxofre, gritos lancinantes de pessoas atiradas ao fogo caracterizam o território indesejável para o qual vão os pecadores sem remissão.

 

O credo
Uma joana estava sentada na frente da porta da casa e ia passando um cavaleiro. Moço! quer me levar na garupa? O homem desmontou, puxou o cavalo e disse: Pode subir. Não senhor. Muito obrigada. Eu não quero ir, não. Estava brincando. Estava brincando? Agora tem que ir, nem que não queira. Estava tão bravo, que ela, sem dizer mais nada, montou. O homem montou também e botou o cavalo a galope.

 

O demo na tradição popular
Somos um povo de formação essencialmente católica e é natural que as nossas tradições populares estejam contaminadas de referências ao anjo mau. Todos nós conhecemos, em Natal, aquela crendice que os construtores e pedreiros conservam religiosamente, pondo galhos de árvore no dia em que instalam a cumeeira de uma casa. Várias pessoas já nos perguntaram qual a significação dessa superstição, que sabíamos ter o efeito de uma comemoração festiva, mas que ignorávamos tivesse relação direta com o demônio.

 

O "demônio da maledicência" e outros demônios
O demônio da maledicência, de que aqui vou tratar, pertence à variada e infinita legião de demos literários, criação erudita ou semi-erudita, fora da alçada rasa onde moureja e vive e fala o povo.

 

O diabo brasileiro
Talvez, porque em minha mocidade não houvesse participado muito da religiosidade provinciana de minha terra, muito supersticiosa mas também intimista com o demo e houvesse logo me integrado no movimento teológico e litúrgico da Renascença Católica que dos países europeus enviava as suas influências doutrinárias e ortodoxas sobretudo sobre as gerações mais jovens de meu país. E o diabo nessa catolicidade renascentista era mais encarado sob o ângulo metafísico e mais notadamente da teologia moral.

 

Duas histórias do ladrão Gaião
Um homem não sabia a quem convidar para compadre de tantos filhos que já tinha. Quando nasceu o caçula, falou à mulher que convidaria até o diabo para padrinho do menino. Saiu e encontrou um homem muito bem apessoado. Convidou-o para compadre e ele aceitou.

 

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