Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
Edição do Mês | Edições Especiais | Edições Anteriores | Tema do Mês | Temas Anteriores | Por Autor | Por Artigo | Por Seção |
Tema do Mês

Agosto 2010 - Ano XII - nº 139

A vida de João Malazarte
Encontro de Cancão de Fogo com Pedro Malasartes
As aventuras de Pedro Malazarte
As travessuras de Pedro Malasartes
Aventuras de Pedro Malasartes Segundo
As presepadas de Pedro Malasartes
As diabruras de Pedro Malasartes
As palhaçadas de Pedro Malazarte

 

Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Pedro Malasartes na literatura de cordel

As travessuras de Pedro Malasartes

José Costa Leite

Neste cordel vou falar
Num sujeito descarado
Pedro Malasartes que
Um tempo achou-se "quebrado"
Inventou diversos planos
Sem nenhum dar resultado

Ele arranjou um namoro
Com uma mulher casada
Toda noite ele trazia
Dinheiro da beliscada
Invés de dar, recebia
Não queria gastar nada

Mas uma noite ele ia
De longe a mulher viu ele
O marido estava em casa
E ela com cuidado nele
Perguntou ao marido:
— Que vulto será aquele?

Malasartes ia fumando
E a mulher com cautela
Disse ao marido: É alma
Eu vou esconjurar ela
Lá no alpendre ficou
Debruçada na janela

A mulher conheceu Pedro
Disse com filosofia:
— Te esconjuro no nome
De Deus e da Virgem Maria
Meu marido está em casa
Deixe pra vir outro dia

E Malasartes cuidou
Logo em desaparecer
Roubou no mato um cavalo
Oculto, sem ninguém ver
Arranjou umas bananas
E foi pra feira vender

Saiu de casa bem cedo
E quando chegou na feira
Que espalhou as bananas
Apareceu uma freira
Lhe dizendo que as frutas
Eram mesmo de primeira

A freira comprou banana
E Pedro lhe disse enfim:
— Dona freira me desculpe
Em ser tão pidão assim
Me arranje uma batina
Velha, que sirva pra mim

— Para que o senhor quer?
E Pedro disse sem desvio:
— É que não tenho capote
E moro na beira de um rio
Venho pra feira bem cedo
Fico morrendo de frio

A freira então se lembrou
Que o vigário Clemente
Tinha uma batina velha
Trouxe e deu de presente
Pedro recebe a batina
Quase louco de contente

Vindo da feira caiu
Um aguaceiro danado
Pedro vestiu a batina
O povo riu pra danado
Vendo um padre de batina
Num cavalo encangalhado

— Aonde vai dizer missa?
Um menino perguntou
Pedro teve uma idéia
E logo um plano formou
Vendeu depressa o cavalo
E o dinheiro guardou

Comprou logo uma maleta
E tomou uma cerveja
Viajou de mundo afora
Na região sertaneja
Procurando uma cidade
Que não tivesse uma igreja

Chegou em uma cidade
Lá nos confins do sertão
Aonde não tinha igreja
Vigário nem sacristão
Pedro disse: Aqui eu vou
Ficar rico de milhão

Hospedou-se num hotel
Com muita sagacidade
Vestiu a batina e saiu
Pedindo por caridade
Dinheiro para fazer
Uma igreja na cidade

E Pedro saiu dizendo
Que era o padre Joaquim
Pedindo ele dizia:
— O dinheiro não é pra mim
É pra fazer a igreja
De Nosso Senhor do Bonfim

E o povo da cidade
Que vivia desejando
De ver ali uma igreja
Todo dia ia levando
Dinheiro a padre Joaquim
E o padre ia juntando

Tinha velha que vendia
Um bode ou uma galinha
Um peru ou um carneiro
E logo bem cedo vinha
Dava ao padre Joaquim
A importância todinha

Padre Joaquim todo dia
Dizia missa campal
Comprou uma batina nova
E no meio do pessoal
Sempre arranjava dinheiro
Aumentando o capital

Até que o papa um dia
Soube que o padre Joaquim
Vivia lá no sertão
Numa exploração sem fim
Para fazer a igreja
De Nosso Senhor do Bonfim

No livro do papa não tinha
O nome dele assinado
O papa disse: Esse cara
É um cabra disfarçado
Vive passando por padre
Trazendo o povo enganado

O papa chamou a polícia
E viajou para o sertão
Chegou lá, padre Joaquim
Estava fazendo um sermão
Com muita gente ao redor
E ia haver confusão

O padre Joaquim vendo o papa
Disse para o povo, assim:
— Juro como este dinheiro
Que eu tiro não é para mim
É todo para o senhor papa
E a igreja do Bonfim

O papa disse à polícia:
— Juro até por Deus eterno
É o padre Joaquim mesmo!
Está até mais moderno
Garanto que ele é o padre
Joaquim, até no inferno

A polícia foi embora
A história diz assim
O papa ficou sendo
Amigo do padre Joaquim
E na cidade ninguém
Achava o padre ruim

FIM

Leite, José Costa. As travessuras de Pedro Malasartes.Guarabira, Tip. Pontes, 19?? [folheto de cordel])

Home | Revista | Catavento | Almanaque | Realejo | Downloads | Colaborações | Mapa do Site
Assine nosso boletim | Central dos Leitores | Expediente | Apoio Cultural
Jangada Brasil © 1998-2009. Todos os direitos reservados. | Fale Conosco | Termos e condições de uso