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Baratas no folclore

Baratas na alimentação

Karol Lenko e Nelson Papavero

A professora Marina de Andrade Marconi (Franca, SP) relatou-nos o estranho caso de um rapaz daquela cidade, que costumava fazer apostas para ganhar um maço de cigarros, comendo baratas cruas! Saiu-se mal, entretanto; esta extravagância ocasionou-lhe feridas por todo o corpo, obrigando-o a vir a São Paulo para tratamento. Não sabemos se este fato foi realmente devido à ingestão das baratas, ou se a causa era outra. A verdade é que elas “pagaram o pato.”

A única notícia que conhecemos, no Brasil, sobre a utilização de baratas como alimento, foi publicada pelo professor Egon Schaden (1938, p.99). Diz ele que os índios Chocleng(B-tocudos) de Santa Catarina apreciam muito comer baratas.

Em outras partes do mundo registraram-se vários casos.

Bodenheimer (1951), em seu clássico sobre entomofagia, refere-se aos aborígines australianos, aos chineses e japoneses, como comedores de baratas. Roth & Willis (1957) reuniram vários dados a este respeito. Citam Bristowe, que viu na Tailândia (Hua Hin e Korat) os autóctones comendo baratas; na maioria dos distritos porém elas não eram tocadas porque “cheiravam mal”; entretanto, em todos os distritos da Tailândia as crianças coletavam as ootecas desses insetos para fritar e comer. Os mesmos autores citam também Brygoo, que conheceu um comandante do exército colonial inglês, comedor de baratas cruas, fazendo-o com evidente prazer e deste modo associando-se aos Kissi, uma tribo da antiga Guiné Francesa. Afirmava ainda Brygoo que os anamitas mais civilizados comiam baratas somente depois de terem elas estado ao fogo. Roth & Willis citam ainda Coupin, que transcreveu uma receita extraordinária: “Um prato suculento é feito de baratas, fervidas no vinagre durante uma manhã e então secas ao sol; os insetos, livres da cabeça e intestinos, são cozidos com manteiga, farinha, pimenta e sal, até formar uma pasta, que é espalhada no pão amanteigado.” O autor insinua que esta mistura era apreciada por alguns londrinos e que as baratas eram comidas também na Irlanda.

(Lenko, Karol; Papavero, Nelson. Insetos no folclore. São Paulo, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1979 (Coleção Folclore, 18), p.61)

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