Ano 5 - setembro  2002 - nº 49


BRANCA, BRANQUINHA, MOÇA BRANCA...

FONTE INSPIRADORA

ÁGUA QUE PASSARINHO NÃO BEBE

FEITA DE CANA CRIOULA...

REMÉDIO BOM

BIBLIOGRAFIA

A CHULA DA CACHAÇA

Recolhida por Mário de Andrade,
na região do rio Madeira, Amazônia, em 1927


O meu consolo é viver nesta alegria
Cambaleando, vendo a lua em pleno dia
O meu consolo é viver sempre na água
Porém meu peito não conhece o que é mágoa

Os taberneiros já não podem vender mais
Depois das sete não posso tomar meu gás
Mas sou um cabra que não perco a minha linha
Trago no bolso sempre a minha garrafinha

Quando eu passo um só momento sem beber
Fico maluco, pensando até que vou morrer
Mas dos paus-d'águas sou o rei, sou coroado
E na tendinha sou freguês considerado

Quando eu morrer quero em minha sepultura
Uma das pipas, das maiores, sem mistura
O encanamento que me venha até a boca
Em pouco tempo deixarei a pipa oca

Ninguém repare, este é o meu natural
Ninguém repare, este é o meu moral
Ninguém repare eu andar cambaleando
Adeus, adeus, que já são horas, vou chegando


(Andrade, Mário de. Ensaio sobre a música brasileira. São Paulo, Livraria Martins, 1962, p.107)

Jangada Brasil © 2002