Robert Walsh
Os habitantes do Rio são mais imoderados em relação à comida do que em relação à
bebida. Não têm costume de tomar vinho do porto porque é muito forte e quente para o
clima; o mais apreciado é o vinho catalão pelo menos é consumido em grandes
quantidades e sua importação anual é enorme. O povo em geral, e especialmente os
negros, toma cachaça, um tipo inferior de rum, destilada da cana-de-açúcar. É uma
bebida tão barata e acessível que os estrangeiros, particularmente os marinheiros, são
grandes consumidores. Grande parte da má conduta e infortúnio dos alemães e irlandeses
originaram-se aí, especialmente com relação aos últimos que, quando recebiam rações
de comida de má qualidade, intragáveis de se comer, trocavam-nas por cachaça, que os
embriagava rapidamente. Ela, porém, não é uma bebida prejudicial ou intragável; no
inverno e na estação chuvosa é geralmente considerada como um saudável antídoto
contra os efeitos do frio e da chuva. Recentemente, um fabricante vem tentando
aprimorá-la através de novos processos, transformando-a numa bebida tão boa quanto o
rum.
[1828-1829]
(Walsh, Robert. Notícias do Brasil. Belo
Horizonte, Editora Itatiaia / São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1985,
v.1, p.218) |