Daniel Parish Kidder
A excursão ao Jaraguá nos proporcionou excelente oportunidade de observar a disposição
das plantações no interior. Esse arranjo difere, nos vários países, segundo o clima,
as culturas e o desenvolvimento da agricultura.
Na fazenda de dona Gertrudes, cultivavam cana-de-açúcar, mandioca, algodão, arroz e
café. Ao redor da sede viam-se numerosas construções, tais como a senzala dos negros,
armazéns para os diversos produtos e o maquinário necessário para pô-los em
condições comerciáveis.
O engenho de cachaça era o lugar onde se destilava o caldo da cana-de-açúcar. Na
maioria das fazendas de cana existe a destilaria onde se converte o melaço que sai do
açúcar, numa espécie de álcool a que chamam cachaça; nesta fazenda, porém, quer
fosse pela sua proximidade do mercado ou por algum motivo econômico, nada mais se
fabricava a não ser cachaça. A moenda de cana era de construção rude e primitiva, não
diferindo muito dos engenhos de cidra, nos Estados Unidos. Era acionada a bois. O cheiro
de álcool que daí provinha, invadia tudo, na fazenda.
(Kidder, Daniel Parish. Reminiscências de viagens
e permanências nas províncias do sul do Brasil; Rio de Janeiro e província de São
Paulo; compreendendo notas históricas e geográficas do império e das diversas
províncias. Belo Horizonte; São Paulo, Editora Itatiaia; Editora da Universidade de
São Paulo, 1980. Reconquista do Brasil (nova série), 15, p.215-216)
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