Alexandre José Melo
Morais Filho
Melo Morais Filho, Manoel Querino, J. N. de
Almeida Prado e Carlos Ott. Ed. Liv. Progresso, 1957, p.153.
O Baile da Cachaça, na ordem dos bailes a serem representados, vem em quinto lugar. É
interessante também e reclama, para fazer parte do guia, uma pessoa jocosa, gaiata, que
anime com humorismo as cenas.
Fazem parte do mesmo quatro pastoras com indumentária comum, somente com os cabelos
soltos, e a capela de flores naturais ou artificiais, cingindo a fronte e o pandeirinho, e
o guia, também sem modificação no vestuário.
Este baile é simples e mais curto que os outros. Mas é muito engraçado.
Sai do quarto o guia, com uma garrafa de cachaça numa mão e o copo noutra, cantando e
bailando, chega até o presépio, onde termina o seu canto iniciado ao sair. Depois
declama até "chumbado", quando saem a primeira e a segunda pastora, cantando e
bailando até quando diz "que beber", daí em diante, é bailado.
Depois falam ao guia e ele responde, declamando, e oferece a bebida às duas pastoras
bebendo primeiro (põe no copo), estala os lábios, e aí oferece à primeira que faz a
sua "apreciação" e dá à segunda que igualmente dá a sua opinião. E o guia
remata, fazendo também o seu elogio.
Saem duas outras pastoras (terceira e quarta), cantando e valsando, depois declamam um
pouco e o guia faz a mesma coisa que fizera com as duas primeiras, isto é, bebe e oferece
a elas, que também bebem as suas apreciações.
O guia canta e as pastoras repetem o mesmo canto, e o guia já agora bailando canta depois
"Quem nossa era" etc., que as duas últimas pastoras também repetem, bailando,
dois versos, com as mesmas palavras e a mesma música, que afinal é sempre a mesma.
Depois as quatro pastoras falam ao Guia, havendo um diálogo entre elas e ele que dura um
bocado, até "Não me lembro de mais nada", que falam a terceira e quarta
pastoras; e em seguida vem o último canto, com dois versos, que cantam bailando em frente
do presépio, e depois fazem a reverência e vão voltando para o quarto, indo o guia na
frente, como nos outros bailes, e as pastoras atrás, a terceira e quarta por último.
(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida
brasileira; textos coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool,
1971/1972. Coleção canavieira, 7, p.221)
|