Luís da Câmara Cascudo
Folclore do Brasil. Ed. Fundo de Cultura,
1967, p. 110.
Como nenhuma outra bebida, negros e amerabas adotaram a aguardente, destilada do mel de
açúcar. Era uma tarefa portuguesa e o nome, cachaça, aplicou-se no século XVII
às borras da espuma do caldo, depois da primeira fervura, na primeira caldeira
(Marcgrave, Piso) e essa cachassa servia unicamente para as alimárias. Mas Pyrard
de Lavai, em fins de 1610, na Bahia, já citava um "vinho feito com o suco da cana,
que é barato, mas só para os escravos e filhos da terra". Em Espanha, como em
Portugal, cachaça era vinho da borra da uvas, inferior à própria e atual bagaceira.
O nome "cachaça" só se popularizou no fim do século XVIII. Antes
falava-se tão-somente no "aguardente da terra". Nas Cartas chilenas, à
volta de 1788, 5ª carta, cita-se a cachaça ardente, bem diversa da louvada por
Sá de Miranda. O vocábulo "cachaça" não é popular na África e nunca o ouvi
em Portugal, Espanha, de onde o tenho por nascido.
(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida
brasileira; textos coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool,
1971/1972. Coleção canavieira, 7, p.234)
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