Ano 5 - setembro  2002 - nº 49


BRANCA, BRANQUINHA, MOÇA BRANCA...

FONTE INSPIRADORA

ÁGUA QUE PASSARINHO NÃO BEBE

FEITA DE CANA CRIOULA...

REMÉDIO BOM

BIBLIOGRAFIA

AGUARDENTE

Luís da Câmara Cascudo
Folclore do Brasil. Ed. Fundo de Cultura, 1967, p. 110.


Como nenhuma outra bebida, negros e amerabas adotaram a aguardente, destilada do mel de açúcar. Era uma tarefa portuguesa e o nome, cachaça, aplicou-se no século XVII às borras da espuma do caldo, depois da primeira fervura, na primeira caldeira (Marcgrave, Piso) e essa cachassa servia unicamente para as alimárias. Mas Pyrard de Lavai, em fins de 1610, na Bahia, já citava um "vinho feito com o suco da cana, que é barato, mas só para os escravos e filhos da terra". Em Espanha, como em Portugal, cachaça era vinho da borra da uvas, inferior à própria e atual bagaceira. O nome "cachaça" só se popularizou no fim do século XVIII. Antes falava-se tão-somente no "aguardente da terra". Nas Cartas chilenas, à volta de 1788, 5ª carta, cita-se a cachaça ardente, bem diversa da louvada por Sá de Miranda. O vocábulo "cachaça" não é popular na África e nunca o ouvi em Portugal, Espanha, de onde o tenho por nascido.


(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida brasileira; textos coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool, 1971/1972. Coleção canavieira, 7, p.234)

Jangada Brasil © 2002