Ano 3 - Setembro 2001 - nº 37





As seguintes observações são necessárias no que se refere à elaboração das partituras e MIDIs das cantigas recolhidas por Alceu Maynard Araújo.

As partituras originais apresentavam erros de transcrição evidentes que foram corrigidos por similaridade de repetição dos trechos. Além disso, em determinados momentos, letra e melodia não se complementavam. Optou-se por solucionar este problema comparando-se as transcrições de Maynard Araújo a outras versões gravadas das mesmas cantigas e ao puro bom senso. 

Em virtude disso, o arquivo PDF apresentará duas partituras: a primeira, cópia fiel do livro, e a segunda, incorporando correções e adaptações às letras (escritas sob a melodia). Os arquivos MIDI seguem as segundas versões.

Como o andamento das músicas não foi citado nas transcrições, este foi definido para algo aproximado e passível de ocorrer.

Os arquivos MIDI das músicas Agulha, Dorme Suzana, Bela Pastora (a
partir de original de Guerra Peixe) e Pula Machadinha (a partir de
original de Guerra Peixe) são arranjos de Alessandro Valente. Os
demais são adaptações.


Para abrir as partituras, é necessário ter o Adobe Acrobat Reader instalado.

SETE  CANTIGAS
RECOLHIDAS POR ALCEU MAYNARD ARAÚJO


Agulha

Jogo de roda. Uma das meninas fica no centro. Feita a escolha é a do centro substituída pela escolhida.

Coro
(Quem é aquela menina
(Que vem de tão longe, tão longe
(Debaixo da manjerona
(Fazendo ton-ton (bis)

Solo
(Eu ando por aqui
(Por aqui assim, assim
(À procura de uma agulha
(Que aqui perdi

Coro
(Menina vai pra casa
(Vai dizer a teu pai, teu pai
(Que uma agulha que se perde
(Não se acha mais

Solo
(Eu tenho um cachorrinho
Chamado Totó
(Ele é malhadinho
(De um lado só

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3

 


Baleia

 

Jogo de roda. Quando o nome da companheirinha é anunciado, ela entra no centro da roda, fazendo uma mesura, saúda a todas, voltando novamente para seu lugar.

A baleia é um peixe
Com tamanha barbatana
(Quem quiser moça bonita
(Vá no Campo de Santa (bis)

O A, o B, o C,
Vamos todas aprender
(Soletrando o bê-a-bá
(Na cartilha do ABC (bis)

O A é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Altina você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)

O B é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Belmira você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)

O C é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Cecília você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)

Desta forma continuam jogando até que sejam citadas as letras iniciais dos nomes das participantes do brinco infantil.

Enquanto cantam, aquelas cujo nome é mencionado na quadrinha é que entram na roda e retornam: “A baleia é um peixe grande, etc.”

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3

 


Bela pastora

Formam uma roda e no centro fica uma das participantes que é a bela pastora. As crianças, rodando, cantam:

Lá em cima daquela montanha
Avistei uma bela pastora
Que dizia em sua linguagem
Que queria se casar (bis)

Bela pastora entrai na roda
Para ver como se dança
Uma roda, roda e meia
Abraçai o vosso amor

A criança do centro (a bela pastora) abraça uma das companheiras, pondo-a no centro da roda e saindo logo a seguir.

O jogo se repete até que todas tenham sido a bela pastora.

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3

 


Dorme, Suzana

Acalanto recolhido em Piaçabuçu, Estado de Alagoas.

Dorme Suzana
Que eu tenho o que fazê
Vou lavá e gomá
Camisinha pra você
ê, ê, ê, ê, ê,
Suzana é um bebê
i, i, i, i, i,
Suzaninha vai dormi

Dorme Suzana
Que eu tenho o que fazê
Vou lavá e gomá
Camisinha pra você
a, a, a, a,
Suzana quer apanhá
i, i, i, i, i,
Suzaninha vai dormi

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira. São Paulo, Melhoramentos; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1973

 


Léo, olé do caranguejo

Jogo de roda. Fazem a roda e vão cantando. No estribilho, quando cantam “léo, olé”, etc., batem palmas e imitam o fincar do pé na areia da praia quando cantam “finca o pé na vazante da maré”.

(Léo, olé, catolé finca o pé
(Na vazante da maré
(Léo, olé, olé, olé (bis)

Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré

Batuquinho, batuquinho
Batuquinho do sertão
Por causa do batuquinho
Maltratei meu coração


Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3


Margarida

Dentre todas as crianças que desejam brincar, uma é escolhida para ser a Margarida, outra é escolhida para comandar os cavaleiros.

As demais crianças formam um círculo ao redor da Margarida, segurando-lhe o vestido pela fímbria e cantam:

Margarida está no castelo
Olé, olé, olá
Margarida está no castelo
Olé, seus cavaleiros

A criança escolhida para comandar os cavaleiros responde:

Eu queria vê-la
Olé, olé, olá
Eu queria vê-la
Olé, seus cavaleiros

Todas respondem:

Mas o muro está muito alto
Olé, olé, olá
Mas o muro está muito alto
Olé, seus cavaleiros

A outra replica:

Tirando-se uma pedra
Olé, olé, olá
Tirando-se uma pedra
Olé, seus cavaleiros

Ao cantar este verso, a menina tira uma daquelas que seguravam o vestido da Margarida, enquanto as outras respondem:

Uma pedra não faz falta,
Olé, olé, olá
Uma pedra não faz falta
Olé, seus cavaleiros

As duas replicam:

Tirando-se duas pedras
Olé, olé, olá
Tirando-se duas pedras
Olé, seus cavaleiros

Ao cantar este trecho, a comandante tira mais uma das meninas que seguravam o vestido da Margarida. As demais meninas respindem:

Duas pedras não faz falta
Olé, olé, olá
Duas pedras não faz falta
Olé, seus cavaleiros

Vão cantando até que tenham sido retiradas todas as meninas que estavam segurando a fímbria do vestido de Margarida. Todas a seguir cantam, batendo palmas:

Apareceu a Margarida
Olé, olé, olá
Apareceu a Margarida
Olé, seus cavaleiros

Enquanto estão cantando esta última quadrinha, todas as meninas que estão tomando parte nesta tradicional ronda infantil, ressaltam o ritmo com batidas de palmas, e a Margarida baila no centro da roda, finalizando o jogo cantado.

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3

 


Pula, machadinha

É um jogo cantado. Uma criança fica no centro da roda e as demais, girando, cantam:

Rom, rom, rom)
Minha machadinha)
Pula machadinha)
No meio da roda) (bis)

A criança do centro responde:

No meio da roda)
Não hei de pular) (bis)
Porque tenho Sucica
Para ser meu par

Abraça o menino (ou menina) cujo nome mencionou, saindo da roda deixando no centro a criança escolhida.

Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3

 

 

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