
As seguintes observações são necessárias no que se refere à elaboração das partituras e MIDIs das cantigas recolhidas por Alceu Maynard Araújo.
As partituras originais apresentavam erros de transcrição evidentes que foram corrigidos por similaridade de repetição dos trechos. Além disso, em determinados momentos, letra e melodia não se complementavam.
Optou-se por solucionar este problema comparando-se as transcrições de Maynard
Araújo a outras versões gravadas das mesmas cantigas e ao puro bom senso.
Em virtude disso, o arquivo PDF apresentará duas partituras: a
primeira, cópia fiel do livro, e a segunda, incorporando correções e
adaptações às letras (escritas sob a melodia). Os arquivos MIDI
seguem as segundas versões.
Como o andamento das músicas não foi citado nas transcrições, este foi definido para algo aproximado e passível de
ocorrer.
Os arquivos MIDI das músicas Agulha, Dorme Suzana, Bela
Pastora (a
partir de original de Guerra Peixe) e Pula Machadinha
(a partir de
original de Guerra Peixe) são arranjos de Alessandro
Valente. Os
demais são adaptações.
Para abrir as partituras, é necessário ter o Adobe Acrobat Reader instalado.
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SETE CANTIGAS
RECOLHIDAS POR ALCEU MAYNARD ARAÚJO
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Agulha
Jogo de roda. Uma das meninas fica no
centro. Feita a escolha é a do centro substituída pela escolhida.
Coro
(Quem é aquela menina
(Que vem de tão longe, tão longe
(Debaixo da manjerona
(Fazendo ton-ton (bis)
Solo
(Eu ando por aqui
(Por aqui assim, assim
(À procura de uma agulha
(Que aqui perdi
Coro
(Menina vai pra casa
(Vai dizer a teu pai, teu pai
(Que uma agulha que se perde
(Não se acha mais
Solo
(Eu tenho um cachorrinho
Chamado Totó
(Ele é malhadinho
(De um lado só
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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Baleia
Jogo de roda. Quando o nome da companheirinha é
anunciado, ela entra no centro da roda, fazendo uma mesura, saúda a todas, voltando
novamente para seu lugar.
A baleia é um peixe
Com tamanha barbatana
(Quem quiser moça bonita
(Vá no Campo de Santa (bis)
O A, o B, o C,
Vamos todas aprender
(Soletrando o bê-a-bá
(Na cartilha do ABC (bis)
O A é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Altina você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)
O B é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Belmira você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)
O C é uma letra
Que se escreve no ABC
(Ó Cecília você não sabe
(Quanto eu gosto de você (bis)
Desta forma continuam jogando até que sejam citadas as letras iniciais dos nomes das
participantes do brinco infantil.
Enquanto cantam, aquelas cujo nome é mencionado na quadrinha é que entram na roda e
retornam: A baleia é um peixe grande, etc.
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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Bela pastora
Formam uma roda e no centro fica uma das
participantes que é a bela pastora. As crianças, rodando, cantam:
Lá em cima daquela montanha
Avistei uma bela pastora
Que dizia em sua linguagem
Que queria se casar (bis)
Bela pastora entrai na roda
Para ver como se dança
Uma roda, roda e meia
Abraçai o vosso amor
A criança do centro (a bela pastora) abraça uma das companheiras, pondo-a no centro da
roda e saindo logo a seguir.
O jogo se repete até que todas tenham sido a bela pastora.
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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Dorme, Suzana
Acalanto recolhido em Piaçabuçu, Estado
de Alagoas.
Dorme Suzana
Que eu tenho o que fazê
Vou lavá e gomá
Camisinha pra você
ê, ê, ê, ê, ê,
Suzana é um bebê
i, i, i, i, i,
Suzaninha vai dormi
Dorme Suzana
Que eu tenho o que fazê
Vou lavá e gomá
Camisinha pra você
a, a, a, a,
Suzana quer apanhá
i, i, i, i, i,
Suzaninha vai dormi
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura popular
brasileira. São Paulo, Melhoramentos; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1973
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Léo, olé do caranguejo
Jogo de roda. Fazem a roda e vão
cantando. No estribilho, quando cantam léo, olé, etc., batem palmas e imitam
o fincar do pé na areia da praia quando cantam finca o pé na vazante da
maré.
(Léo, olé, catolé finca o pé
(Na vazante da maré
(Léo, olé, olé, olé (bis)
Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré
Batuquinho, batuquinho
Batuquinho do sertão
Por causa do batuquinho
Maltratei meu coração
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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Margarida
Dentre todas as crianças que desejam
brincar, uma é escolhida para ser a Margarida, outra é escolhida para comandar os
cavaleiros.
As demais crianças formam um círculo ao redor da Margarida, segurando-lhe o vestido pela
fímbria e cantam:
Margarida está no castelo
Olé, olé, olá
Margarida está no castelo
Olé, seus cavaleiros
A criança escolhida para comandar os cavaleiros responde:
Eu queria vê-la
Olé, olé, olá
Eu queria vê-la
Olé, seus cavaleiros
Todas respondem:
Mas o muro está muito alto
Olé, olé, olá
Mas o muro está muito alto
Olé, seus cavaleiros
A outra replica:
Tirando-se uma pedra
Olé, olé, olá
Tirando-se uma pedra
Olé, seus cavaleiros
Ao cantar este verso, a menina tira uma daquelas que seguravam o vestido da Margarida,
enquanto as outras respondem:
Uma pedra não faz falta,
Olé, olé, olá
Uma pedra não faz falta
Olé, seus cavaleiros
As duas replicam:
Tirando-se duas pedras
Olé, olé, olá
Tirando-se duas pedras
Olé, seus cavaleiros
Ao cantar este trecho, a comandante tira mais uma das meninas que seguravam o vestido da
Margarida. As demais meninas respindem:
Duas pedras não faz falta
Olé, olé, olá
Duas pedras não faz falta
Olé, seus cavaleiros
Vão cantando até que tenham sido retiradas todas as meninas que estavam segurando a
fímbria do vestido de Margarida. Todas a seguir cantam, batendo palmas:
Apareceu a Margarida
Olé, olé, olá
Apareceu a Margarida
Olé, seus cavaleiros
Enquanto estão cantando esta última quadrinha, todas as meninas que estão tomando parte
nesta tradicional ronda infantil, ressaltam o ritmo com batidas de palmas, e a Margarida
baila no centro da roda, finalizando o jogo cantado.
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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Pula, machadinha
É um jogo cantado. Uma criança fica no
centro da roda e as demais, girando, cantam:
Rom, rom, rom)
Minha machadinha)
Pula machadinha)
No meio da roda) (bis)
A criança do centro responde:
No meio da roda)
Não hei de pular) (bis)
Porque tenho Sucica
Para ser meu par
Abraça o menino (ou menina) cujo nome mencionou, saindo da roda deixando no centro a
criança escolhida.
Fonte: ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional.
São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964. v. 3
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