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FOLCLORE E EUParei para pensar e escrever sobre a presença do Folclore em
minha vida.
Nesses 47 anos, com certeza, é marcante, rica e variada, a influência dos diferentes
fatos e manifestações folclóricas em minha vivência.
Ainda, na vida intra-uterina, tabus, crendices e superstições nos ligaram - mamãe
Ivanice e eu.
Já nascida, cantigas de ninar e histórias da carochinha marcaram minha memória, nas
vozes de mamãe e madrinha Getrudes.
De papai Nami, brincadeiras de trava-língua e confecção de brinquedos populares -
papagaio/arraia/pipa e móveis de caixinhas de fósforo.
Com minha irmã Edna, muitas brincadeiras de casinha, bonecas de pano (bruxinhas), que
conviviam, harmoniosamente, com os brinquedos comprados e sofisticados.
Já na escola, em Fortaleza e, posteriormente, em Recife, as primeiras leituras de
folclore: lendas indígenas (Boitatá, Cobra Norato), tipos humanos, danças e folguedos.
No recreio, marcando a socialização com colegas e amigos, as brincadeiras de roda, as
parlendas, as histórias sem-fim, as piadas, os jogos de espião/queimado, etc.
Com minhas tias, Beta, Nida e Dulce, oportunidades de leituras variadas do universo do
Folclore.
Na universidade, o primeiro contato formal - um curso de especialização em pesquisa
folclórica. micromonografias. O início de amizade com um grande folclorista
Mário Souto Maior.
Na vida profissional, como professora de crianças, a possibilidade concreta de
oportunizar vivências e resgate das diferentes manifestações folclóricas.
Num baile de carnaval, o encontro com Edvaldo, o marido. Não faltou, naquela noite,
frevo, maracatu, samba e fantasia.
Anos depois, o nascimento de Sthella e de Rodrigo e o sentir, na própria pele, as
crendices e superstições ligadas à identificação do sexo do bebê - em desprezo das
ultra-sonografias realizadas. Não usar chave no seio (para o bebê não nascer com lábio
leporino). Cheirar casca de limão ou chupar gelo para passar enjôo. Usar, na primeira
roupinha do recém-nascido, algum detalhe vermelho - para atrair sorte. Usar alguma peça
do batizado, durante todo o dia, para trazer felicidade. Chumaço de algodão molhado na
testa do bebê para passar soluço.
Para os filhotes e o sobrinho Raimundo Júnior, passei a ser o elemento de ligação entre
o Folclore e o cotidiano da turminha da televisão, do vídeo-game e do computador, que
caracterizam as gerações a partir dos anos 80.
Muitas vezes, numa relação desigual, onde a tecnologia exerce influência mais poderosa
e significativa - não necessariamente qualitativa.
Mas fica, em mim, a tranqüilidade de que o Folclore permanecerá junto ao ser humano,
independente de transformações, mudanças, mutilações, sufocações ou adaptações
que possam ocorrer em suas diferentes manifestações, pois na realidade, se trata
o Folclore - das maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, como bem sintetizou o
mestre Câmara Cascudo.
Thelma Regina Siqueira Linhares
47 anos
Recife, PE
Texto enviado para a revista JANGADA BRASIL, nas comemorações do seu terceiro
aniversário.
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Bentinho da Samambaia - Cada um cai do cavalo como quer - um causo de David de Carvalho. |
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