Ano 3 - Setembro 2001 - nº 37

Ilustração Marcos Jardim


... Ao receber a *conclamação* para que os leitores participassem da festa de 3 anos da Jangada espalhei apenas para duas pessoas, Deus e o mundo.

Uma dessas, a escritora Ana Suzuki (autora de O jardim japones e conhecedora do folclore da tranqueira, sô, de serra negra, interiorzão de Sum Paulo.)

Eu queria participar por mim mesmo, mas as idéias muito a contragosto se deixam ordenar. Meu tema era o ex-voto, ou a promessa pra santos, acolhimento, recebimento da graça e não cumprimento da promessa, que aqui pra nós, acho um tema interessante,modesta que sou r*.

Modesta, mas incompetente, não escrevi e pedi à Ana que escrevesse sobre um *causo* que sempre despertou minha curiosidade, e fez cócegas na inquietação.

Eis abaixo o relato...

Maria Elisa Guimarães

Belém do Pará / Rio de Janeiro, RJ


Recentemente contei um fato à Selma, por telefone.

Ela, por sua vez, o narrou à Meg. E a Meg me pediu que o recontasse.

Resolvi narrá-lo à Irmandade, na esperança de que alguém tenha uma explicação plausível para o caso, segundo suas próprias crenças e conhecimentos.

É que, quando minha filha Mitsue passou para o colegial, compramos um apartamento bem próximo ao Colégio Pio XII, [em Campinas] para evitar problemas de transporte. Nesse apartamento comecei a sentir todo dia uma saudade estranha do meu genro Manuel Vicente, médico recém-formado que havia morrido alguns anos antes num acidente de moto, deixando viúva aos 25 anos minha filha Viviane.

Digo que era uma saudade estranha porque na minha saudade ele era adolescente. E acontece que o conheci já homem feito.

Certo que eu já vira uma foto dele adolescente. Mas não se tratava dessa lembrança estática, e sim de cenas de sua vida, que rolavam em meu pensamento como se eu as tivesse presenciado. Comentei isso com a Viviane, e ela por sua vez o comentou com a avó do Manoel Vicente.

Passado algum tempo, casualmente a Viviane descreveu à avó o local onde eu estava morando. Edifício Torre Argenta, esquina da Rua Duque com a Boaventura do Amaral, etc. E aí sim veio a surpresa. Esse edifício estava construído exatamente no terreno onde antes havia uma casa grande. E nessa casa o Manuel Vicente, estudante do Colégio Pio XII, passara a sua adolescência!

Ana Suzuki
Escitora

(Colaboração de Maria Elisa Guimarães)


Colaborações

A. Carlos - Bentinho da Samambaia - Cada um cai do cavalo como quer - um causo de David de Carvalho.
Andréia Nery - Benzeduras
Guilhermino de Oliveira Filho - Noite de São João
Itamar Rabelo - Uirapuru.
Lia Marchi - A montanha
Edith Lacerda - Ticumbi
Lenise Resende - Herança
Thelma Regina Siqueira Linhares - Folclore e eu
Virgínia Allan - Duas histórias de assombração
João Rodrigues Barbosa Filho - O guzerá
Gilvan Chaves, Junior - Bem-vindo seja, nortista, uma matutada de Gilvan Chaves
Peter O'Sagae - Folclore
JPVeiga - A linhagem da Cobra Grande
Gutenberg Costa - Agosto: mês de desgraça e desgosto!
Gutenberg Costa - Rezadeiras do Rio Grande do Norte
José Eduardo Ribeiro Moretzsohn - Porrinha
Valéria de Paula - Índios e cantigas
Família Garcia - Seleção de parlendas e adivinhas.
Maria Elisa Guimarães - Um estranho acontecimento narrado por Ana Suzuki
Nara Limeira - Entre o chão e o chinelo: o chiado em dança e percussão.
Rogério Duarte - A mula-sem-cabeça
Luiz Guimarães Gomes de Sá - Frevo, no coração e no pé
Cassiano Santana - Depoimento

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Jangada Brasil é uma revista mensal, exclusivamente online,
dedicada ao registro e divulgação da cultura popular brasileira e suas diversas formas de expressão.