Setembro
2000
Ano III - nº 25 |
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DIFERENTES FORMAS
DE CHOÇAS E CABANAS INDÍGENAS
Prancha 26 |
O interesse que apresenta o estudo do homem
selvagem, como construtor, levou-me a compôr este quadro comparativo das diferentes
formas das choças e cabanas dos indígenas brasileiros.
Quis dar ao leitor a possibilidade de julgar, progressivamente, desde o mais simples até
o mais complicado, esses diversos tipos de construção, como documentos aproximativos da
inteligência de seus autores, que varia sensivelmente dentro das próprias subdivisões
de uma mesma raça e na medida de sua civilização.
Nº
1: Abrigo dos índios puris, denominado em sua língua cuari; sua estrutura muito
simples sustenta uma camada interior de folhas de patioba (palmeira de folhas lisas) ou de
helicônia (planta gigantesca) recoberta por várias camadas de folhas de grandes
palmeiras-coco. A rede é feita de fibras de embira.
Nº
2: Abrigo dos patachos. A parte sólida compê-se de doze estacas inclinadas para o centro
e fortemente amarradas no seu ponto de reunião. O teto, ou coberta, é construído pela
super-posição de grande quantidade de folhas enormes de helicônia, cujo peso basta para
que se mantenham no lugar.
Nº
3: Choça dos mandrucus (província do Pará). A armação dessa choça em forma de
abóbada circular já apresenta um sistema de ligação sólida e raciocinada; é
engenhosamente recoberta de enormes galhos de palmeira, entrelaçados com arte. A rede é
feita de um pedaço de casca de árvore e as canoas de que se servem esses selvagens são
do mesmo estilo.
Nº
4: Estes tipos de cabana são peculiares aos povos nômades que as abandonam amiúde. Os
viajantes as aproveitam, restaurando-as, para as suas paradas.
Nº
5: Choça dos botocudos pouco civilizados. É construída pelas mulheres e não apresenta
nenhum sistema de armação sólida: toda a parte interna da abóbada se compõe de palmas
enfiadas no chão e amarradas umas às outras. Acrescenta-se, em seguida, a esse frágil
suporte, grande quantidade de novas palmas a fim de formar uma parede impermeável. O
leito é feito de quatro estacas, sobre as quais se colocam travessas em todos os sentidos
a fim de sustentar porções de estopa à guisa de colchões.
Nº
6: Esta cabana, construída solidamente de um modo razoável, tem na sua estrutura o
modelo de todas as pequenas casas feitas para abrigar os escravos dos cultivadores
brasileiros em geral; para que seja perfeita a semelhança, só falta encher os muros de
barro. Este tipo de cabana é comum aos puris, camacãs, coroados, etc. já mais ou menos
civilizados. O teto é recoberto com pedaços de casca da bignônia.
Nº
7: Esta cabana, cuja única diferença consiste em ter as paredes fechadas por folhas de
palmeiras entrelaçadas, é peculiar aos coroados.
Nº
8: espécie de hangar dos caboclos de Cantagalo, recoberto de folhas de palmeira.
Nº
9: Mais arejada, esta outra cabana é construída pelos coroados. Este tipo de
construção, adotado pelos brasileiros para abrigar as mercadorias das caravanas,
chama-se em português rancho: encontra-se em todas as estradas freqüentadas e se
localiza ao lado de uma venda a cujo dono sempre pertence.
Nº 10: Esses abrigos silvestres são encontrados nas florestas habitadas pelos
guaianases; servem aos caçadores selvagens que, ao cair do sol, estendem armadilhas nas
mais altas árvores para pegar as grandes araras que nela costumam empoleirar-se. O
selvagem passa a noite nesse abrigo e de madrugada vai buscar o produto de sua caça; só
lhe é possível subir ou descer por meio de cipós, escadas naturais que pendem dessas
árvores.
Nº
11: Esta habitação dos selvagens industriosos e guerreiros é chamada pelos brasileiros rancho
fortificado. O conjunto reúne a vantagem de uma perfeita construção à de uma cerca
trançada, quase da altura de um homem; as saídas, feitas com engenho e de acesso
voluntariamente difícil, são de tal modo baixas que um homem só pode passar por elas
deitado. Essas espécies de fortalezas, numerosas entre os guaianases, são ainda
defendidas por uma ou mais linhas de baricadas, erguidas na floresta que as cerca.
(DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao
Brasil) |
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