| Versão de Sergipe Oh! sinhá, minha sinhá,
Oh! sinhá de meu abrigo,
Estou cantando o meu redondo,
Ninguém se importe comigo.
Redondo,sinhá.
Certa velha intentou
Urinar numa ladeira,
Encheu rios e riachos,
E a lagoa da Ribeira,
Redondo, sinhá.
E sete engenhos moeu,
Sete frades afogou,
E a maldita desta velha
Inda diz que não mijou...
Redondo, sinhá.
Esta velha intentou
Vestir pano de fustão,
Precisou quinhentos covados
Para fazer um cabeção.
Redondo, sinhá.
Depois do pano cortado
Não saiu de seu agrado;
Precisou doutros quinhentos
Para fazer os quadrados
Redondo, sinhá.
Esta velha intentou
Tirar um dente do queixal,
Procurou quinhentos bois
E cem cordas de laçar.
Redondo, sinhá.
Não sou pinto de vintém,
Não sou frango de tostão;
A maldita desta velha
Quer fazer de mim capão
Redondo, Sinhá.
Eu casei contigo, velha
Há de ser com condição
D'eu dormir na boa cama,
E tu, velha no fogão.
Redondo, sinhá.
Eu casei contigo, velha,
Prá livrar da filharada...
Quando entrou em nove meses
Pariu cem de uma ninhada!
Redondo, sinhá.
Trinta e um meios de sola
Na praça se rematou,
Pra fazer seu sapatinho...
Assim mesmo não chegou.
Redondo,sinhá.
A velha quando morreu,
Eu mandei-a enterrar;
Como não coube na terra
Mandei-a lançar no mar.
Redondo, sinhá.
Versão do Rio de Janeiro
Ah! redondo, sinhá,
Senhora de meu favor.
Estou cantando o meu redondo,
Que me importa, meu amor?
Redondo, sinhá.
O cabelo desta velha,
É caso de admirar,
Um fio de seu cabelo
Dá prima para tocar
Redondo, sinhá.
Esta velha já mijou
Lá detrás de uma gamboa;
Inundou um campo inteiro,
Alagou uma canoa...
Redondo, sinhá.
O dentinho desta velha,
É caso de admirar,
Toda uma junta de bois
Não arredou do lugar...
Redondo, sinhá.
(ROMERO, Sílvio. Cantos populares do Brasil)
Vocabulário:
Quadrados: Partes da
camisa da mulher que ficam sob os braços; opõem-se às ombreiras.
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Nota de Luís
da Câmara Cascudo:
Era um gênero humorístico, em quadrinhas, caracterizado pelo estribilho, Redondo,
Sinhá ou Ai! Redondo, Sinhá, posto ad libitum. As solfas em tonalidade
maior, compasso de dois por quatro, eram simples e vivas. O velho cantador Fabião das
Queimadas, Fabião Hermenegildo Ferreira da Rocha, 1848-1928, cantou em nossa casa um Redondo,
Sinhá em sextilhas, dizendo-me ser moda nova e que as velhas não costumavam
ser em quatro pés. Os versos eram de 1876. Publiquei-os com a música, no Vaqueiros e
cantadores, 211, Liv. do Globo, Porto Alegre, 1939. É um gênero de cantoria de
outrora praticamente desaparecido. Americano do Brasil, Cancioneiro de trovas do brasil
central, 269, informa que o refrão redondo, sinhá é usado no final das
cantigas na dança do Tatu em Goiás.
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