
- Rapaz, onde vai com tanta pressa?
- Vou ao trabalho, já estou atrasado.
- Trabalho? Não me diga que ainda existe essa asneira?
- Claro que existe. E você não trabalha?
- Nem eu, nem você.
- Calma lá! Eu trabalho!
- Então vamos ver. Quantas horas você trabalha por dia?
- Oito horas.
- Muito bem. O ano tem 365 dias de 24 horas; se você trabalha 1/3 de 365 é 121. Sendo
assim, você trabalha 121 dias por ano. E quantos domingos há no ano?
- 52.
- 121 menos 52, são 69, você só trabalha 69 dias por ano.
- É isso mesmo...
- Quantos dias você tem de férias?
- 30 dias.
- 69 menos 30 são 39; portanto você trabalha 39 dias por ano. Cortando o Natal, o Ano
Novo, a Sexta-Feira Santa, o aniversário da cidade e outros babilaques, nós temos 12
dias de festas, nos quais não se trabalham. 39 menos 12 são 27. Portanto, você só
trabalha 27 dias. Sábado você só trabalha meio expediente; meio-dia durante um ano são
26 dias, não é verdade?
- Exato.
- 27 menos 26 é 1; logo você trabalha só um dia por ano.
- Que diabo... mas de qualquer maneira trabalho um dia por ano.
- Aí é que está seu engano: esse dia que sobra é o dia 1º de maio, dia do
Trabalhador, e ninguém trabalha.
(Almanaque
Santo Antônio 1999)

1. Existes para que possas extrair daquelas árvores
as pontas agudas. (1-2)
2. Daquele Estado do Norte veio a planta japonesa que plantei no meu Estado.
(2-2)
3. Para caminhar segure a destra do mano. (1-1)
4. Observei a mercearia perto da nossa morada. (1-2)
5. Antes de chegar à igreja encontrei o homem piedoso, dono da
manjedoura. (1-1-2)
(1. Es-pinhos. 2. Para-íba. 3. Ir-mão. 4. Vi-venda. 5. Pre-sé-pio)

Atrás da cruz se esconde o diabo.
Atrás de cururu peado, todo bicho é corredor.
Atrás de mim virá quem bom me fará.
Atrás do morro, tem morro.
Atrás de tempo, tempo vem.
Atrás de um dia, vem outro.
Atrás do pobre anda um bicho, e esse bicho é o diabo.
Atrás dos apedrejados correm as pedras. |

Assim disse a Loucura à Razão presumida:
"Razão, eu devo ser-te muito agradecida."
- Como então? perguntou-lhe a Razão.
E a Loucura falou-lhe, "inocente" e ferina:
"O homem só é louco de verdade
Quando ele raciocina
Eu não quero arrancar a tua faculdade
O teu valor!
Mas, basta ele pensar
Raciocinar
Para eu num momento me apossar
Do Grande Pensador!
Desde então,
Ó Razão,
É positivamente em vão
Que acendes teu clarão!
Nesse mesmo momento eu desbarato-o!
Acendo o pequeno fogo fátuo
Que o conduz
Para vê-lo ir voando e revoando
Atrás dessas faíscas, mas pensando
Que vai seguindo atrás da tua Luz!
(CEARENSE, Catulo da Paixão. Fábulas e alegorias)

O cumprimento e o chapéu
Recomendado do Rio ao carcereiro da cadeia de Recife, de tal modo se portou ali Fagundes
Varela, utilizando a roupa e o calçado deste funcionário, que este se viu na
contigência de expulsá-lo da sala que lhe havia sido cedida para hospedar-se.
Dias depois, encontrando o carcereiro na rua, o poeta fez-lhe um cumprimento.
- Suas saudações irritam-me os nervos, - declarou o benfeitor ludibriado. Espero
que não me tires mais o chapéu.
- O chapéu? estranhou o poeta. Mas, o cumprimento não me custa nada.
E mostrando-lhe o feltro, que havia tarzido na mudança:
- O chapéu não é seu?
(Faria, Alberto. Conferência na Academia Brasileira de Letras, 1925. In CAMPOS, Humberto
de. O Brasil anedótico)

(Rio de Janeiro)
Olha o pé de moleque a cocada pretam pretibranca,
cô di rosa!
(Recolhido por GALLET, Luciano. Estudos de folclore)

Mulher alheia é como árvore, só dá galho
Diante de tanta corrupção, tenho vergonha de ser honesto
Quando pensamos estar formados na escola da vida, alguém inventa um novo curso
Não sou o que você pensa, mas tenho o que você gosta
Mulher é coisa medonha, faz o rico ficar pobre e o pobre sem vergonha
Se a minha vitória te incomoda, faça como eu, trabalhe
Suba sorrindo, mas limpe os pés
Se Deus é teu pai, eis aqui o teu irmão
Cada vez que recebo a minha conta de luz, levo um choque
Não julgue o livro pela capa e a mulher pelo sorriso |