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MADEIRAS DA AMAZÔNIA

Entre as madeiras mais empregadas e mais estimadas para a construção civil e naval citaremos as seguintes, que já são utilizadas no comércio, ou que podem ser:

O parcouri ou bacuri (Platonia insignis), da família das Gutíferas. É madeira acinzentada, de tecido resistente, de poros muito visíveis. A árvore mede de 20 a 25 metros; o tronco tem entre 1,50 e 2,50 metros de diâmetro, de acordo com a idade da árvore e sua localização. Ela fornece também uma goma elástica.

A sucupiraçu (Bowdichia virgilioides), da família das Leguminosas. É também cinzenta, com belos veios. É empregada particularmente para a construção das quilhas de navios. Atinge 20 ou 25 metros de altura, e o diâmetro de seu tronco varia entre 1,50 e 2,50 metros.

O ipê ou pau-d’arco (Tecoma chrysantha) pertence à família das bigoniáceas. Sua cor é escura, os poros bastante marcados. Esta árvores, de altura média, é abundante em todo o vale do Amazonas. Suas numerosas variedades se empregam para todos os tipos de construção. Tem cerca de 12 metros de altura, por 55 centímetros de diâmetro.

O piquiá ou piqui (Caryocar brasiliensis) é madeira resistente, da família das Rizoboláceas’tem uma bela cor amarela. Esta árvore atarracada mede de 1,50 a 2 metros de diâmetro e 11 ou 12 metros de altura. O fruto é esférico, grande, com uma ou várias cavidades, contendo caroços e matéria oleaginosa em grande quantidade; os índios utilizam-nos como alimento ou condimento.

A maçaranduba (Mimusops balata), Sapotácea, de cor vermelho-escura, com raras veias. Sua textura é muito fina, apertada e compacta. Pode ser cortada para dormentes de estrada de ferro e cunhas de navios. Não tem menos de 20 a 25 metros de altura e de 1,30 a 3 metros de diâmetro, no tronco. A maçaranduba pode ser considerada como um dos produtos florestais mais preciosos deste vale. Destila uma espécie de guta-percha; dizem que seu leite, adocicado, pode substituir o de vaca. De sua casca, muito fina, extrai-se tanino e substâncias corantes.

O pau-ferro (Swastria tomentosa) é muito conhecido nas colônias francesas com o nome de hucuya, wanebala, panacoco, anacoco, não é necessário descrevê-lo.

O cedro-branco (Cedrela odorata) é também chamado de acaju-amargo e acaju-fêmea nas colônias francesas. Sua contextura é muito semelhante à da madeira precedente. É de um aspecto rosado mais claro. O cedro-batata (Cedrela sp.) é aquela arvore imensa, de 20 a 25 metros de altura e de 2 a 3 metros de diâmetro, que se vê flutuando no grande rio, arrancada pela força das águas. Essas duas espécies de cedros são de qualidade inferior e só são empregados para trabalhos de segunda categoria.

Os louros existem também em grande abundância nos pantanais amazonenses. Atingem dimensões inusitadas em outros lugares. Podemos distinguir o louro-negro (Cordia sp.), o louro-comum, o amarelo, o cheiroso, o branco, o vermelho.

Existe uma certa madeira, chamada itauba (Acrodiclidium itauba) que tem a maravilhosa propriedade de ser imputrescível, mesmo exposta a todas as intempéries. É o famoso pau-pedra, próprio dessas regiões. Sua altura é de 20 metros, seu diâmetro de 2 a 3 metros.

A sapucaia (Lecythis ollaria), o camari-macaco das colônias francesas, oferece qualidades não menos preciosas para a construção civil e naval. Com uma altura de 20 a 25 metros e um diâmetro de 2 a 2,50 metros, é muito compacta e de uma cor avermelhada, que se atenua com o tempo. Dela se extrai estopa para calafetar navios, uma tinta para tingir o algodão, amêndoas oleaginosas, comestíveis e medicinais. Existem tantas outras espécies de sapucaias, que seria fastidioso enumerá-las.

O guarabu ou pau-roxo (Peltogyne macrolobium), da família das Leguminosas, é madeira de primeira qualidade, de cor violeta muito particular, e de textura muito densa. O diâmetro é de 1 a 1,20 metros e sua altura é de 20 a 22 metros.

Na família das Sapotáceas, notamos a abiurana (Lucuma Lasiocarpa), muito estimada nas construções de todo tipo e por seus frutos agradáveis. Não é muito alta, medindo apenas de 10 a 15 metros, com 60 a 90 centímetros de diâmetro.

O acapu (Andira cubletii) é madeira acinzentada de primeira ordem e de grande valor. É a mesma que a espiga de trigo ou da comballi da Guiana; altura de 22 a 25 metros; diâmetro do tronco de 1 a 1,50 metros.

A guariúba (Galipea sp.), da família das Rutáceas, pode resistir, como o pau-pedra, à ação do ar e da umidade. É uma árvore de madeira amarelada, de 8 a 10 metros de altura, com um tronco de 20 a 30 centímetros.

Por fim, o umiri ou nieri das colônias (Humirium floribundum), além dos serviços que pode prestar na construção, produz ainda um bálsamo amarelo, límpido e perfumado, que é empregado como o bálsamo do Peru. Não ultrapassa 15 metros de altura e 1,60 metros de diâmetro.

A enumeração completa de todas as madeiras próprias para construções seria muito longa; seria necessário fazermos o recenseamento das florestas da Amazônia, que cobrem, conforme dissemos, vários milhões de hectares. É mais simples referir o leitor às classificações de Aublet e aos recentes trabalhos dos naturalistas dos dois mundos:

"Segnius irritant demissa per aurem,
Quam quae sunt oculis subjecta fidelibus…
"

As madeiras de marcenaria, e as destinadas à confecção de móveis finos, são tão numerosas e tão aptas à exploração quanto às que acabamos de mencionar. As mais notáveis, geralmente empregadas e que ofereceriam à indústria européia os melhores materiais de trabalho, são:

A andira-uixi (Andira sp.), muito semelhante ao palissandro, e que fornece ao ser cortada, pranchas de 8 a 10 metros de comprimento por 15 ou 20 centímetros de espessura.

O cajazeiro (Spondias dulcis), a madeira branca da região. Produz excelente fruto, ao qual se dá o bonito nome de pomo-de-citera (cajá).

O jenipapo (Genipa brasiliensis) ganha sobre os anteriores pelas proporções, pois ultrapassa 14 metros de altura e 14 centímetros de diâmetro, e também por sua qualidade intrínseca. A madeira cinza-pérola do jenipapo é uma das madeiras mais procuradas para a fabricação de móveis de luxo e para a escultura. Seu fruto é um alimento saboroso e um remédio eficaz.

O ingarana (Inga sp.) é de um vermelho muito claro. Tem de 10 a 12 metros de altira e 50 ou 60 centímetros de diâmetro.

O jacarandá-cabiúna (Dalbergia nigra), espécie de palissandro (palo-santo), cor de chocolate quase negro, apresenta veios marrom-escuros e poros longitudinais cheios de massa rosada. Mede de 12 a 15 metros de altura por 1 ou 1,60 metros de espessura. As raízes de um belo desenho, são muito apreciadas. Certas espécies de jacarandá se encontram também no centro do Brasil, mas são desconhecidas na Amazônia.

O muiraguatiara (Centrolabium sp.) madeira soberba, de 10 a 12 metros de altura e 1 metro de diâmetro, tem um fundo amarelo marcado de listras negras.

O muirapinima (Centrolabium paraense), ou pau-tartaruga, também é chamado pau-de-letras, por causa de suas manchas negras em fundo marrom, imitando as escamas da tartaruga. Esta árvore, medindo de 3 a 10 metros de altura e de 5 a 10 centímetros de diâmetro, é extremamente preciosa.

O famoso pau-rosa (Dicypellium sp.), que exala um perfume de rosas, é uma bela árvore de 8 a 11 metros de altura e de 50 a 60 centímetros de diâmetro.

O pau-mulato (Pentaclethra filamentosa), tem 10 a 13 metros de altura, 80 centímetros a 1 metros de diâmetro.

O pau-roxo do Amazonas (Peltogyne venosa), é de um violeta puxando para o amarelo. O tronco, quase sempre oco, tem de 50 a 60 centímetros de diâmetro e a altura chega a 25 ou 20 metros.

O pau-cetim (Aspidosperma sp.), de um amarelo-claro, brilhante, de poros quase invisíveis, não ultrapassa 10 metros de altura, com um diâmetro de 50 a 60 centímetros.

Citemos ainda o tapiquarana, cipó de grandes dimensões, com o qual se fazem bengalas fora do comum, o umari (Geffroya superba), o iuxi, e milhares e milhares de outros.

[1899]


(NÉRI, Frederico José de Santana. O país das amazonas)

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AS ÁRVORES DOS REMÉDIOS

Certo dia, um homem foi para a terra firme atrás de chuchuacha. Seu pai estava doente, muito fraco. Procurou, procurou até que encontrou a árvore. Tirou um pouco da casca e levou para casa. Aí preparou o remédio.

A chuchuacha serve para curar várias doenças: fraqueza, palidez e reumatismo.

A casca da carapanaúba é boa para quem sofre dos rins, fígado, anemia e dor no estômago.

A casca do cedro, bem cozida, serve para dar banho nas pessoas que sentem dores no corpo, para curar amebas e palidez.

A casca do taperebá, fervida, serve para lavar feridas e curar diarréias.

A casca queimada e transformada num pó bem fino serve para colocar no umbigo das crianças recém-nascidas.

A casca da acapurana cura diarréia, feridas e amebas. Também é usada pelas mulheres depois do parto e durante a menstruação.

A casca do matamatá é boa para cólicas, diarréia e amebas.

A casca do muruchi também serve para diarréia.

Outra árvore importante é a andiroba. De suas frutas retiramos um óleo que serve para tratar diarréia, tosse, dores musculares, coceiras e feridas.

O óleo da copaíba também cura vários tipos de doenças: asma, gripe, coqueluche, febre e dor de cabeça. Serve ainda para passar no corpo e tratar a coceira.

O leite da sucuuba serve para curar "peito aberto". O leite deve ser tirado do tronco, do lado onde o sol se põe. Depois passa-se no local da dor ou faz-se um emplastro, usando um pano bem limpo. O tratamento deve ser na lua nova.

A resina do cicantã é boa para cheirar e assim alivia a dor de cabeça. Serve também para espantar a cobra-grande, Yewae.

Para picada de aranha, defuma-se o local com breu e a dor passa. Defumam-se também as crianças para desentupir o nariz.

O chá da raiz do açaí é usado para disenteria, dor no estômago e amebas.


(GRUBER, Jussara Gomes, (org.), O livro das árvores)

 

 Calafetar: Vedar com estopa, feltro,etc., buracos ou fendas de uma embarcação.

Cunhas: Pedaço de madeira com que se se vedam fendas ou se ajustam encaixes.

Imputrescível: Que não apodrece.

Oleaginosa: Da natureza do óleo; Oleoso.

Tanino: Substância encontrável em vários organismos vegetais, que torna as peles imputrescíveis, sendo, por isso, usada em curtumes (os taninos também fornecem tintas. São usados em medicina como adstringentes tônicos).


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