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BANANEIRAS

A bananeira se encontra nas florestas virgens cultivadas pelos selvagens, que com elas cercam suas cabanas. Algumas, primitivamente cultivadas pelas tribos nômades e abandonadas em seguida, dão frutos que se tornam a presa dos caçadores ou dos animais frugívoros.

Cultivam-se no Brasil duas (sic) espécies de bananas; uma chamada banana-de-jardim ou de São Tomé; é a menor e é extremamente saborosa; a outra, banana indígena ou da terra, muito maior, mas de gosto inferior. A bananeira floresce apenas uma vez após doze ou quatorze meses; em seguida seca e cede lugar, ao morrer, aos brotos, que nascem do seu bulbo; compraz-se principalmente nos solos gordos e úmidos.

O caule não passa, na realidade, de um invólucro formado pelo enrolamento de várias camadas das folhas, atinge uma altura de doze pés; as palmas, de um verde quente e acetinado, têm no geral seis pés de comprimento por dois de largura; o pecíolo, espesso e côncavo, serve de conduto para as águas pluviais umedecerem o caule.

As folhas gigantescas são guarnecidas de membranas transversais, próximas umas das outras, e correspondentes a um debrum natural que lhes fortalece o bordo. Entretanto, apesar dessa vantagem, não podem resistir às violências dos ventos do sul, que as rasgam em tiras irregulares.

O racimo, quase tão grosso quanto o braço de um homem, no seu ponto de inserção, é inteiramente coberto de frutos, grande parte dos quais, em verdade, não chegam ao ponto de maturação.

As flores, avermelhadas, em grupos de sete ou oito, nascem debaixo de pequenas folhas roxas e luzidias, invólucros particulares de cada uma dessas pequenas massas, dispostas em círculo em torno do talo que as alimenta. Assim, permanecem compridas até determinado grau de conformação das frutas; então as folhas que as envolvem, entreabrindo-se pouco a pouco, deixam penetrar os raios do sol até que, tornados os frutos mais fortes, se separam, abandonando-os à força de sua vegetação.

Esses frutos ficam durante muito tempo verdes, ligados ao caule, e são colhidos antes de amarelar. Os selvagens os conservam no chão, num canto da cabana, até que um belo amarelo alaranjado e manchas pretas, mais tarde, indiquem a perfeita maturação.

Nº 2 – Grupos de frutos maduros destacados do talo.

Nº 3 – Fruto destacado da casca e pronto para ser comido; a carne mole e cheia de suco lembra o gosto da pera e do marmelo. Os selvagens comem-no cru ou assado na brasa. Essa maneira de prepará-lo dá-lhe todo o sabor da maçã-raineta. Essa carne que é tão útil quão agradável, emprega-se também com bons resultados, cozida ou assada como cataplasma resolutivo.

Nº 4 – Desenho, de tamanho natural, da lagarta da bananeira, original pela espécie de coroa que lhe encima a cabeça. Seu corpo esverdeado é riscado de linhas duplas de um roxo rosado; as pontas da coroa são amarelo-claras e as pequenas pérolas das extremidades são pretas; as outras duas pontas, colocadas na extremidade posterior, são igualmente amarelas.

(DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil)

DEBRET, Jean-Baptiste. Bananeira

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