Ir para a página principal


Festança
Imaginário
Oficina
Palhoça
Colher de Pau
Panacéia
Catavento
Almanaque
Candeeiro
Mural
Expediente


Folhinha

Arquivos

Outras Edições

Busca

 

Retornar para Cancioneiro

COROGRAFIA DAS TROVAS

Taquari não vale nada
Rio Pardo vale um vintém
Santo Amaro mil cruzados
Pelas mocinhas que tem

* * *

As moças de Santo Amaro
Têm barriga de porongo
Quem quiser casar com elas
Leve tripas e mondongo

* * *

Ia indo pra Santo Amaro
Meti um espinho no pé
Amarrei com fita verde
Cabelinho do José

* * *

Em Canguçu dei de rédea
Entre serras e penedos
E toquei pra Caçapava
Só por guardar uns segredos

* * *

Quem me dera estar agora
Onde está meu pensamento:
De Porto Alegre pra fora
De Cachoeira para dentro!

* * *

As moças de Cachoeira
São bonitas, que eu bem vi
Estavam lavando roupa
No passo do Jacuí

* * *

Se fordes a Cachoeira
Levai contas de rezar
Cachoeira é um purgatório
Onde as almas vão penar

* * *

Eu não sou filho daqui
Sou filho de Jaguarão
Ensino cavalo gordo
Tomo mate-chimarrão

* * *

Agora me estou lembrando
Dos pagos de Jaguarão
Amores que foram meus
Agora de quem serão?

* * *

Tenho meu cavalo baio
Crioulo de Jaguarão
Para ver as mulatinhas
No cerro dos Três Irmãos

* * *

Abaixai-vos, cerros verdes
Secai, rio Jaguarão
Quero alcançar sem demora
Quem roubou meu coração

* * *

Abaixai-vos, cerros verdes
Quero ver a Vacaria
Quero ver por quem eu choro
Lágrimas todo o dia

* * *

Dormindo, estava sonhando
Que estava em Vacaria
Acordei e achei-me preso
Nos braços de Ana Maria

* * *

Pagos de Cima da Serra
São pagos de pedraria
Assim mesmo, são melhores
Do que lá na Vacaria

* * *

Agora que arrinconado
Vivo aqui em estranha terra
Já me sinto abaianado
Não sou de Cima da Serra

* * *

Muitos Josés e Marias
São filhos da Conceição
Eu também sou afilhado
Da Virgem de Viamão

* * *

Não são daqui os meus pagos
Nem daqui eu quero ser
Em Quaraí fui criado
Onde nasci vou morrer

* * *

Perguntei a um andante
Este mês quando se acaba?
Dei volta por Dom Pedrito
E não achei mais minha casa

* * *

O vento, a chuva me alegra
Se vou rumo do Alegrete
Monto aqui, apeio ali
Pobrete, mas alegrete

* * *

Sou gaúcho de bom gosto
Da costa do Garupá
E me sinto mui feliz
Trajando o meu chiripá

* * *

Ó coxilhas de Santana
Ó campos do Garupá!
As lágrimas caem-me aqui
Pelo amor que ficou lá

* * *

Eu cantando vou dizendo
Onde foi meu nascimento:
Nas pontas do Quaraí
Santana do Livramento

          * * *

Ó dona, se eu lhe contasse
Você diria que eu minto
As moças do Livramento
Usam pistola no cinto!


(LOPES NETO, Simões. Cancioneiro gaúcho)

Já desci de noite escura
A serra de São Martinho
Quando o perigo apertava
Chamava por ti baixinho…

          * * *

Em São Borja e São Vicente
Pra casar não se demora
Que as moças lá desses pagos
Cortam a gente, de espora!

* * *

Eu já passava de largo
Nas bandas de Uruguaiana
Pra não dar a certas moças
O meu couro pra badana

* * *

Quem foi que disse, não sei
Mas quem disse não mentiu:
As moças de São Gabriel
Farda nunca resistiu

* * *

Lá na terra de Pelotas
As moças vivem fechadas
De dia fazem biscoitos
De noite sonham caladas

* * *

Neste São José do Norte
Brotam moças nas areias
Vivendo perto da praia
Enganam como as sereias

* * *

Lá no cume da tristeza
No centro da Soledade
Nutriu-se o meu coração
Sofrendo a dor da saudade

* * *

Marrequinha da lagoa
Paturi do Passo Fundo
Como queres que eu te amo
Se tu és de todo mundo?

* * *

As moças de Taquari
Andam de saia-balão
Coisa feia, amigo Juca
Por Deus e um patacão!

* * *

Costa de Camaquã
Costa de sinceridade
Aonde vão filhos alheios
Padecer tanta saudade

* * *

Te chamam de Porto Alegre
Bem triste te chamo eu
Por teres sido a terra
Onde este infeliz nasceu

* * *

Eu não sei quem foi que disse
Mas quem disse não mentiu
Que às moças de Porto Alegre
Ninguém nunca resistiu

* * *

Alecrim na beira d’água
De viçoso está tremendo
As moças de Porto Alegre
De faceiras ‘stão morrendo

* * *

Chiquinho caiu no Riacho
E foi ter na Azenha, lá
As moças pescaram ele
Pensando que era jundiá

* * *

As moças de Porto Alegre
São lindas e dançam bem
Vestidos todos rendados
Pés pequenos elas têm

* * *

Nas portas do Cerro Largo
Cerrando esporas no baio
Acuda, senhora Rosa
Acuda, senão eu caio!

* * *

No toldo do Nonoai
No velho Porto Garruchos
Nas barrancas do Uruguai
Fui um triste entre os gaúchos

* * *

Me lembro do rio Ijuí
Do saudoso Piraju
Do lindo Piratini
Do meu Urubucaru

* * *

Lá na terra das Missões
Laço aos tentos em rodilhas
Atravessei os rincões
Daquelas verdes coxilhas

* * *

Vou-me embora pra Missões
A língua vou aprender
Desde aqui já vou dizendo
Nai maráin che recovê
(Não há novidade na minha vida)

* * *

Quando eu era mais pequeno
Cantava que retinia
Eu cantava em Caçapava
No Rio Pardo se ouvia!

 

Veja também:

- Artigos de fé do gaúcho.

- A salamanca do jarau.

- Adágios referentes à pelagem de cavalos.


Topo

Jangada Brasil © 1999