Ir para a página principal


Festança
Imaginário
Oficina
Palhoça
Colher de Pau
Panacéia
Catavento
Almanaque
Candeeiro
Mural
Expediente


Folhinha

Arquivos

Outras Edições

Busca

 

Retornar para Cancioneiro

ABC DA VENDA

As gentes que vimos
De todas as classes:
Entram com disfarces
Na venda.

Beatas também,
Sempre confessadas,
Vão dar embigadas
Na venda.

Caixeiros e amos
Por contas erradas,
Jogam às murradas
Na venda.

Doutores de banca
E outros "charás"
Formam "provarás"
Na venda.

Escrivães e escreventes
Com seus ajudantes
São firmes, constantes
Na venda.

Frades infinitos
E moços donatos,
Alimpam sapatos
Na venda.

Ganhadores sós
Não podem beber
O que há a vender
Na venda.

Homens e mulheres
Velhos e meninos
Repicam os sinos
Na venda.

Lacaios, marujos,
Sem escapar um,
Vão beber o "bumbum"
Na venda.

Meleiros chapados,
São os sujeitinhos
Que beijam os bentinhos
Na venda.

Não fiquem de parte
Os procuradores,
Que também fazem favores
Na venda.

Oradores vimos
Que finda a função
Repetem o sermão
Na venda.

Piratas e clérigos,
Frades minoristas,
Também são coristas
Na venda.

Quartéis e conventos,
Lojas, escritórios,
Tem seus purgatórios
Na venda.

Roceiros, feitores
E tudo dos matos,
São mais do que ratos
Na venda

Soldados então,
Só levam a fama:
Todos fazem lama
Na venda

Tolos e sabidos
Té os inocentes
Nascem-lhes os dentes
Na venda.

Viúvos, casados,
Solteiros e tudo
Ninguém fica mudo
Na venda.

Xixi b.u.a
Que afeta de sério:
Também fica ébrio
Na venda.

Zumbi, lobisomem
E outros
fadários
Oferecem rosários
Na venda.

Só o pobre "til"
Por ser pequenininho,
Fica num cantinho
Na venda.

(CABRAL, Alfredo do Vale. Achegas ao Estudo do Folclore Brasileiro)

Clérigo: sacerdote cristão

Fadário: destino traçado por poder sobrenatural


Topo

Jangada Brasil © 1999