23 de setembro, 08:31 horas: início da primavera. A Jangada
Brasil preparou uma seleção de poesias do cancioneiro popular em homenagem à estação
do amor, dos enamorados, dos poetas.
A FLOR DA MURTA
Eu fui a fulô da murta
Daquela que cai no chão
Quanto mais carinhos faço
Mais desenganos me dão
De que me serve dizer
A dor de meu coração?
- A quem descubro este peito
Não me dá consolo, não
MEU CRAVO, MEU DIAMANTE
Meu cravo, meu diamante
Meu relógio, meu cordão
Tu foste a primeira chave
Que abriu meu coração
Alecrim verde é firmeza
Que de meu peito nasceu
Acharás muito quem te ame
Mas não firme como eu
Alecrim verde se chama
Uma esperança perdida
Quem não logra o que deseja
Antes morrer, não ter vida
O CRAVO E A ROSA
O cravo tem vinte folhas
A rosa tem vinte e uma
Anda o cravo em demanda
Porque a rosa tem mais uma
O cravo brigou co'a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa espinicada
Viva o cravo, viva a rosa
Viva o palácio do rei
Viva o primeiro amor
Que nesta terra tomei!
O cravo caiu doente
A rosa foi visitar
O cravo deu um desmaio
A rosa pôs-se a chorar
ABALEI O PÉ DA ROSEIRA
Abalei o pé da roseira
Mas não o pude arrancar
Quem não tem bens da fortuna
Glórias não pode alcançar
Só a ti posso afirmar
Que outro amor não hei de ter
Se acaso eu não morrer
Se a fortuna me ajudar
Fui à fonte beber água
Tive medo de um sardão
Bebi água de teu rosto
Sangue de meu coração
Fui ao pote beber água
Topei água de sobejo
Só cuido que estou com vida
Benzinho, quando te vejo
Eu te amo, minha beleza
No que posso obedecer
Se não for feliz contigo
Vida mais não quero ter
O campo verde se alegra
Quando vê o sol nascer
Também se alegram meus olhos
Quando chegam a te ver
Se eu subera que tu vinhas
Que alegrias não teria!
Mandava barrer a estrada
Com rosas de Alexandria
Jura o sol e jura a lua
Juram estrelas também
Juram mais três testemunhas
Como eu te quero bem
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O CRAVO
Lágrimas são qu'eu almoço
Janto suspiros e dor
À tarde merendo ais
De noite ausências de amor
Cravo, eu não sei como vivo
Como trago meu sentido
Em maginar tua ausência
Trago o juízo perdido
Adeus, querido das flores
Adeus das flores querido
Não te trato pelo nome
Para não ser conhecido
A FLOR DA LIMA
A fulor da lima é branca
É branca e mui cheirosa
Eu te amo por despique
Pra matar as invejosas
A fulor da lima exprime
Todo o afeto dum semblante
Quando eu a tenho entre os dedos
Julgo abraçar meu amante
O CRAVO BRANCO
Cravo branco, luz do dia
Jasmim da minha alegria
Quem me dera morar perto
Para te ver todo o dia
O cravo do meu craveiro
Quando me vê esmorecer
Quem de meu corpo não trata
De meu amor não carece
Quem tem cravo na janela
É certo que quer vender
Quem tem seu amor defronte
A cada passo quer ver
Botei o cravo na telha
Para Maria cheirar
Maria foi tão ingrata...
Deixou o cravo murchar
Botei terra na algibeira
Para plantar cravo roxo
Para nunca me esquecer
Das feições deste teu rosto
O meu pé de craveiro
Bota cravos diferentes
Não te mostro mais agrado
Mode a língua desta gente
CRAVO ROXO DESIDÉRIO
Cravo roxo desidério
Pintadinho de amarelo
Abre a fulor de meu peito
Vigia o bem qu'eu te quero
Cravo roxo desidério
Encostado à penitência
Sou amada e sou querida
Em quanto estou na presência
Vai-te, carta, visitar
Aos pés daquele jardim
Ajoelha, pede licença
Dá-lhe um abraço por mim
A carta pede licença
A letra perde perdão
Aceite, meu bem, aceite
Lembranças do coração
Este botões que aí vão
Todos dois vão por abrir
Um vai cheio de saudades
Outro para divertir
LÁ VOS MANDO UM CRAVO BRANCO
Lá vos mando um cravo branco
Num bago de jaca dura
Lá vos mando perguntar
Se vosso amor inda dura
Lá vos mando um cravo branco
Dentro de um gomo de cana
Se tu cuidas qu'eu te amo
O coração bem te engana
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QUADRINHAS
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Manjericão douradinho
Douradinho até o pé
O meu coração é teu
O teu não sei de quem é
*
Adeus, centro da beleza
Minha delicada flor
Quando me verei contigo
Prenda de tanto valor!
*
Cupido subiu ao trono
Descalço, pisando em flores
Dizendo: viva quem ama
Morra quem não tem amores
*
Lá detrás daquele serro
Tem um pé de lírio só
Faço carinhos a todos
Mas quero bem a ti só
*
Vinde cá, meu cravo douro
Minha papoula da Índia
Eu te quero perguntar
Se me queres bem ainda
*
Vinde cá, meu cravo douro
Minha semente de prata
A tua vista me alegra
O teu retiro me mata
*
Minha mãe, me dê a chave
Quero apanhar nove rosas
Três brancas, três encarnadas
Três amarelas cheirosas
*
Sois a flor mais delicada
Que criou a natureza
Sois mais linda que a rosa
Que brilha com mais grandeza |
A açucena quando nasce
Vem abrindo, vem fechando
Meu amor, quando me enxerga
Vem todo se requebrando
*
Lá doutro lado do rio
Está uma rosa por se abrir
Quem me dera ser sereno
Para na rosa cair!
*
Na terça por todo o dia
Para mim tudo era flor
Só pensando em ir gozar
Delícias de teu amor
*
És branca como jasmim
Colorada como a rosa
Se tu me amares sempre
Dou-te a terneira barrosa
*
Manjericão miudinho
No peito do meu amor
Quando me verei contigo
Minha delicada flor?
*
Esta casa está bem feita
Por dentro, por fora não
Por dentro cravos e rosas
Por fora manjericão
*
Cravo roxo, sentimento
Dentro de minha almofada
O dia que te não vejo
Não coso, não faço nada
*
Se eu morrer com minha fala
Com meu juízo perfeito
Hei de pedir que me enterrem
No jardim deste teu peito |
Botei flores a brilhar
Dentro de um caixão de vidro
A paixão que me acompanha
É não poder falar contigo
*
Cravo não bole com a rosa
Que está quieta na roseira
Não sabes que é pecado
Mexer com moça solteira?
*
Para ti me vou chegando
Conhecendo o teu amor
Adeus, delícias dos sonhos
Adeus, delicada flor
*
Dá-me de tua parra um figo
Uva de tua figueira
De teu peral uma rosa
De teu rosal uma pera
*
Cravo-goivo, amor-perfeito
Metidos em almofada
No dia em que te não vejo
Não como, não faço nada
*
Na minha horta plantei
Sementes de mariana
Nasceram cravos e rosas
Uma angélica cor de cana
*
Com o prado, com as flores
Comparo minha ventura
O prado porque floresce
A flor porque pouco dura
*
Dentro do meu peito há
Um cravo roxo dourado
Este não dou a ninguém
Só pra ti tenho guardado |
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